O deputado Fernado Gabeira (PV-RJ), sub-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas, disse nesta segunda-feira (07) ter encontrado "nexos" que indicariam a prática de irregularidades nas compras de ônibus para o programa de inclusão digital do Ministério da Ciência e Tecnologia. Gabeira afirmou que há vários indícios de que o MCT "foi aparelhado pelo PSB para obter ganhos eleitorais e financeiros".

O deputado, que fez as declarações antes de entrar em reunião da CPMI, diz ter imagens de quatro ônibus "escondidos em uma garagem de Volta Redonda (RJ)", cuja compra foi, segundo ele, financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) por meio de emendas de deputados do PSB fluminense.

Protótipo

As suspeitas do deputado são baseadas no fato de o protótipo dos ônibus ter sido desenvolvido pela empresa KM, de Pernambuco, estado do ex-ministro Eduardo Campos.

O sub-relator observou que o programa foi implantado em Alagoas, que é governado por Ronaldo Lessa, do PSB, e depois adotado pela Secretaria de Inclusão Digital do MCT, que era chefiada por Rodrigo Rollemberg, militante do partido no Distrito Federal.
De acordo com o deputado Gabeira, a Finep liberou R$ 4,2 milhões para a compra desses veículos.

Ex-ministros

Questionado sobre a eventual convocação dos ex-ministros Humberto Costa (Saúde) e Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), Gabeira informou que uma decisão a esse respeito deverá ser tomada a partir do dia 10, data em que será divulgado o relatório da CPMI. Nessa segunda fase, disse ele, duas linhas de investigação serão adotadas: uma relativa a irregularidades no âmbito do Ministério da Saúde, e outra para investigar os programas de inclusão digital.