Deputado é acusado de repassar informações secretas

O deputado federal gaúcho Pompeo de Mattos (PDT) corre o risco de perder o mandato se for comprovada a acusação, feita por uma testemunha da CPI do Tráfico de Armas, de que passou o conteúdo de um depoimento secreto ao empresário Jair dos Santos Rodrigues, de Uruguaiana (RS). O caso, revelado pela revista ‘IstoÉ’, será investigado pela Corregedoria da Câmara Federal e pode ser remetido ao Conselho de Ética.

Em seu depoimento, em junho deste ano, a "Testemunha Z", como foi identificada pela Comissão, contou a um grupo de deputados que Rodrigues estaria envolvido com uma quadrilha que contrabandeava armas de grosso calibre para o Brasil. Colocada sob proteção, a testemunha não quis ficar em Brasília e voltou a Uruguaiana, onde teria sido pressionada pelo empresário e um advogado a desmentir o que tinha dito aos deputados.

A testemunha foi à Procuradoria da República de Uruguaiana para contar uma nova versão, a de que teria acusado Rodrigues a mando de um político da cidade. Logo depois, no entanto, foi à Polícia Federal, revelou as pressões e reafirmou as acusações contra o empresário. Também disse que sofreu um atentado e que recebeu oferta de um suborno de R$ 10 mil para mudar a versão. E contou que o empresário disse ter recebido cópia do depoimento de Pompeo de Matos, a quem, inclusive, teria prometido "um presentinho" em troca do favor.

O deputado federal nega a versão contada pela testemunha. Admite ter pedido à secretaria da CPI para ler o depoimento porque não estava na sessão em que a testemunha foi ouvida, mas garante que não repassou o conteúdo ao empresário. Ao jornal ‘Zero Hora’, Pompeo de Mattos revelou ter sido procurado pelo empresário, que já foi filiado ao PDT, mas disse que "correu" com ele. Em entrevistas a emissoras de rádio e televisão, no final de semana, o deputado avaliou as acusações que sofre como tática de pessoas acuadas, que estariam querendo constranger tanto testemunhas quanto quem investiga.

Rodrigues confirmou que procurou Pompeo de Mattos há cerca de um mês e meio, porque ouvia boatos desde a metade do ano de que seu nome teria sido citado na CPI e queria saber se isso era verdade. Segundo o empresário, o deputado respondeu que não sabia de nada, alegando que o assunto era sigiloso e investigado por outra turma de parlamentares.

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