Considerada a defensora mais voraz dos políticos petistas denunciados no esquema do mensalão, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) se arrependeu de ter dançado no plenário da Câmara, logo depois do resultado da absolvição do deputado João Magno (PT). "Não faria de novo, com certeza". Em São José dos Campos, cidade da qual foi prefeita, nos anos 90, ela alegou que estava apenas "comemorando porque seria a primeira a dar um abraço no deputado". "Na verdade, eu não saí dançando. O que houve foi uma manifestação de alegria porque meu amigo não tinha sido cassado".

Guadagnin também pediu desculpas às pessoas que encararam a dança como um ato de escárnio às denúncias contra o partido e os políticos envolvidos. "Que me perdoe quem encarou como deboche. Foi um ato humano, diante da situação de um amigo. Eu sou humana, agi espontaneamente, com o coração". Preocupada com a repercussão de sua animada coreografia, ela ressaltou não estar dançando pela impunidade. "Em nenhum momento quis gozar ou repudiar, agi espontaneamente", repetiu.

No Vale do Paraíba a coreografia petista foi amplamente debatida nas ruas e nos meios de comunicação. "Lamentável", disse o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PP) em entrevista à rádio Band AM, em São José dos Campos. "Aquilo ali é a melhor imagem que Ângela tem de si mesma, foi a verdadeira boba da corte, vou mandar um par de sapatilhas pra ela", opinou o jornalista Paulo de Tarso Venceslau, ex-petista, expulso do partido depois de denunciar o caso CPEM. "Foi um vexame, estamos ruborizados de vergonha da defensora dos mensaleiros", disse o advogado Luiz Paulo Costa, do diretório municipal do PSDB em São José dos Campos.