Uma depreciação real do dólar conduzida pelo mercado e a apreciação real de moedas de países superavitários poderiam potencialmente desempenhar um papel auxiliador no estreitamento dos desequilíbrios globais, estima o Fundo Monetário Internacional (FMI) nos Capítulos Analíticos que antecedem a divulgação das Perspectivas para a Economia Global, que serão publicadas durante o encontro de primavera da instituição, em Washington, na próxima semana.
O documento preparado pelo Departamento de Pesquisa do Fundo acrescenta que "o processo de ajuste deverá envolver o reequilíbrio da demanda doméstica em direção a economias superavitárias, incluindo aumento na taxa de poupança privada para níveis mais ‘normais’ e maior consolidação fiscal nos EUA para enfrentar o custo da população em envelhecimento".
Estimativas do FMI indicam que uma depreciação real entre 10% a 15% da moeda norte-americana é necessária para reduzir o déficit comercial em 1% do PIB. Enquanto o FMI observa que a "depreciação real ajuda a conter os custos em termos de crescimento mais lento do PIB que são associados com grande reversões dos déficits de conta corrente", acredita que o ajuste externo nos EUA pode envolver uma depreciação real do dólar menor do que algumas vezes é citado nos debates acadêmicos e políticos. "Estimativas típicas sugerem que estreitar a relação déficit de conta corrente em proporção do PIB em um ponto porcentual iria exigir uma depreciação real (do dólar) oscilando de 10% a 20%." Mas evidências nas elasticidades comerciais apuradas pelo FMI "são consistentes com estimativas na parte menor deste intervalo".
O documento avalia que "a probabilidade de um ajuste benigno cai com o tamanho do déficit externo e aumenta com o grau segundo o qual um país é aberto ao comércio". Assim, a aplicação de "políticas que removam obstáculos à realocação de recursos e ao comércio internacional ajudariam a reduzir o deslocamento na atividade econômica que pode acompanhar este processo de ajuste" diz o relatório do Fundo. "Quanto mais flexível a economia, menores os obstáculos para a realocação de recursos e mais reativo será o comércio a mudanças na taxa de câmbio real", diz o texto.


