São Paulo – A bomba que explodiu ontem na Rua 25 de Março teve efeito imediato: afugentou consumidores que ainda deveriam fazer as compras de última hora. Antes do atentado, lojistas acreditavam que mais de 1 milhão de consumidores passariam pela região. Hoje (24), segundo a Guarda Civil Metropolitana (GCM), só 500 mil se arriscaram. A polícia ainda não tem pistas sobre a autoria do crime.
O clima estava tenso na 25 de Março, com um boato de que um bilhete ameaçador havia sido encontrado no mesmo local em que o artefato explodiu. "Estava escrito que aquela bomba não seria a última. Estamos trabalhando de olhos bem abertos", disse o ambulante Leidivam Rodrigues, de 24 anos.
As donas de casa que se arriscaram demonstravam uma inusitada pressa. Ninguém queria "marcar bobeira". "Olha, eu já estou indo embora. Tenho medo que mais tarde alguma coisa aconteça outra vez", disse Débora Fernandes Souza, de 31 anos.
Qualquer barulho diferente era motivo para apreensão. Estalos dos escapamentos de motocicletas deixavam ambulantes tensos. Os vendedores de fogos de artifício eram os únicos que conseguiam manter algum senso de humor: "Olha a bomba! Olha a bomba!", diziam.
Só na 25 de Março, o efetivo da GCM pulou de 80 para 120 homens. Em toda a região central, eram 260 guardas. Carros da Polícia Militar também faziam a ronda de forma ostensiva. "Hoje está mais difícil de trabalhar. O rapa passa de minuto a minuto" disse o camelô Rafael Silva, de 29 anos.
Sobre o atentado, nenhum ambulante disse ter visto algo de anormal. Muitos disseram que escaparam por segundos. "O rapa me salvou. Quando fugi deles, a bomba explodiu", afirmou um camelô que não quis se identificar.
Na região, ouvem-se várias versões sobre o atentado. A mais comum é a de que seja uma retaliação ao combate a produtos piratas. Mas há aqueles que acusam a GCM e até taxistas insatisfeitos com a fiscalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
"Querem culpar os camelôs outra vez. Tem gente aqui que não sabe nem escrever, como vai saber armar uma bomba daquela?", indagou a ambulante Rosa Maria Gonçalves, de 38 anos. O presidente da União dos Lojistas da 25 de Março, Jorge Dib, também está apreensivo. "Nunca imaginei que chegaríamos a esse ponto."
A polícia ouviu 12 pessoas – nove vítimas e três testemunhas -, mas não conseguiu avançar nas investigações. O delegado Roberto Bueno Menezes, titular do 1º Distrito Policial (DP), disse que há várias hipóteses para a motivação do crime, mas não falou quais para não atrapalhar a apuração do caso. "É difícil saber o que passa pela cabeça de quem faz uma coisa dessas", comentou. O delegado disse ter recebido três denúncias anônimas sobre o possível autor do atentado.
O secretário de Serviços e subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, disse que até abril o efetivo da GCM no centro vai subir de quase 1.200 homens para 1.500. Desde o início do ano, disse, a subprefeitura apreendeu 1 milhão de CDs e DVDs falsificados. Para Matarazzo, tudo indica que a explosão esteja "ligada à atuação das máfias do contrabando e da pirataria".


