Causou grande polêmica entre a classe teatral e televisiva a participação da atriz Regina Duarte no programa de TV do candidato José Serra. Ela disse estar “sentindo medo” de que, com uma vitória de Lula, o País perca a estabilidade “tão duramente conquistada”.

Em reação ao depoimento da atriz, o dramaturgo Jair Alves escreveu uma carta aberta, que circulou pela internet, intitulada “Regina Duarte tem medo do quê?”.

Segundo Alves, Regina está pregando o medo e cria uma espécie de “terrorismo eleitoral”, coisa que não condiz com seu histórico profissional. “O que afirmei nada tem a ver com a qualidade do trabalho artístico de Regina Duarte”, ele diz. “Mas sua tentativa de dividir seu medo com a nação chega a ser patética.”

“Aquele negócio de medo, eu não entendi nada”, reagiu a atriz Maria Alice Vergueiro. “A campanha transcorria num clima alegre, otimista, e aquilo soou meio ressentido, um argumento bobo e confuso”, opinou Maria Alice.

“A pessoa tem o direito de apoiar quem quiser, mas o conteúdo foi infeliz”, disse Eduardo Tolentino, diretor do Grupo Tapa. “Ela desaconselha votar em alguém só porque acha que esse alguém não é aceito pelo mercado externo?”, questionou. “Fiquei muito chocado com isso.”

Mesmo pessoas de outros setores que não o artístico manifestaram-se a respeito. João José Sady, da seção de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, achou “desleal” o texto que Regina defendeu na TV. João Antonio Felício, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), acusou Regina de “patrulheira” do voto dos que querem mudanças no País.

Segundo a asssessoria da atriz, ela está descansando em uma fazenda na região de Barretos (interior de SP) e só iria se pronunciar sobre a polêmica amanhã. O candidato José Serra chegou a comentar o caso no programa Roda Viva, na segunda à noite, e afirmou que o depoimento de Regina foi “espontâneo”.

A assessoria de Imprensa da Rede Globo informou que é liberada aos artistas a participação na campanha eleitoral, desde que o artista não esteja no ar com alguma novela ou programa. A medida, segundo a emissora, é para que o público não confunda o personagem com o artista.

Na TV

O candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva trocou hoje o tom festivo do primeiro dia do horário eleitoral por uma crítica direta ao adversário José Serra no terreno que este mais preza: a saúde. “Neste País, quem precisou da rede pública (de saúde) tem uma história triste pra contar. Eu tenho muitas.”

Já José Serra, no seu horário, repetiu à tarde o depoimento de Regina Duarte. Em resposta à enorme lista de apoios exibido no primeiro dia pelo rival, o tucano apresentou governadores e políticos famosos eleitos, e anunciou coalizões com PMDB, PPB e PFL. Serra apresentou uma espécie de credo, com sua posição sobre os principais temas: é contra a privatização do Banco do Brasil, da Petrobras e do Banco do Nordeste, reativará a Sudene e fará a reforma agrária sem permitir invasões.