O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, repudiou ontem o uso de qualquer tipo de denúncia ou dossiê como arma para interferir no processo eleitoral e defendeu a punição dos envolvidos na produção e tentativa de distribuição desse tipo de material. Na avaliação dele, procedimentos dessa natureza apenas contribuem para desgastar o processo democrático e deslegitimar a disputa eleitoral. ‘Qualquer compra ou montagem de dossiês desse tipo é ilegal, antidemocrática e deve ser punida’, afirmou Tarso, que passou o final de semana em Porto Alegre e conversou por telefone com a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo
Para ele, a proximidade das eleições impede que qualquer informação contida no dossiê criado com o objetivo de atingir os tucanos José Serra, que disputa o governo paulista, e Geraldo Alckmin, que concorre à Presidência, seja comprovada antes do pleito de outubro. Isso, por si só, já é motivo suficiente para que o material não seja usado por qualquer candidato, de qualquer partido, na avaliação do ministro. ‘O ponto de partida deve ser a presunção de inocência’, afirmou Tarso
Seguindo esse mesmo raciocínio, Tarso evitou avaliar diretamente a suspeita de que o PT estaria por trás da negociação de compra do material. Mesmo assim, ele apontou que existem sinais claros de que a negociação dessas informações foi conduzida por pessoas que têm por único objetivo defender seus próprios interesses, utilizando-se da proximidade da eleição para isso. ‘Onde há dinheiro envolvido, há interesses escusos’, completou o ministro
Tarso comparou as denúncias lançadas desde o final da semana passada contra os candidatos tucanos às dificuldades atravessadas pelo PT desde a eclosão da crise política do mensalão, em junho do ano passado. Todos esses episódios, segundo ele, são reflexos de uma ‘histeria denuncista’ que se formou no Brasil há mais de um ano e da qual a sociedade como um todo deve se defender. ‘A sociedade deve se proteger contra esse tipo de atitude’, completou
Mas, mesmo defendendo que as denúncias não ganhem espaço no debate eleitoral, Tarso insistiu na necessidade de o caso ser investigado pelas autoridades competentes. Este, segundo ele, é um ‘processo de médio a longo prazos’, que precisa ser conduzido em benefício do sistema político e do processo democrático