É crescente no Itamaraty o mal-estar com a demora da concessão, por parte do governo britânico, do agreement (aprovação) para o embaixador José Maurício Bustani chefiar a embaixada brasileira em Londres que está vaga desde a saída do ministro Celso Amorim. O pedido do agreement foi apresentado pelo governo brasileiro ao ministério das Relações Exteriores do Reino Unido (Foreign Office) há cerca de quatro semanas.

O nome de um novo embaixador não pode ser confirmado antes da concessão do chamado agreement, ou seja, antes da aprovação do nome pelo governo governo do país no qual o embaixador servirá. Segundo funcionários do Foreign Office, um agreement geralmente é concedido no máximo em três semanas.

Em geral, trata-se de uma mera formalidade. Mas, no caso de Bustani, há vários diplomatas brasileiros que suspeitam de que o governo britânico não esteja satisfeito com a escolha. Bustani foi afastado da direção da Organização para a Proibição de Armas Químicas das Nações Unidas (Opaq) em abril do ano passado por pressão do governo dos Estados Unidos, que o acusou de ter levado a organização ao caos financeiro. A ação do governo norte-americano contra Bustani recebeu o apoio do Reino Unido.

O Foreign Office não precisaria necessariamente se recusar formalmente a conceder o agreement ao nome de Bustani. O governo britânico poderia protelar indefinidamente a autorizaçao  forçando o Itamaraty a retirar o pedido. Nos corredores do Itamaraty e das embaixadas brasileiras na Europa, é corrente a avaliaçao de que o Foreign Office teria “engavetado” o processo.

O governo brasileiro ainda acredita que o nome de Bustani possa ser aprovado. Mas já há sinais de impaciência. “Seria inadmissível que o governo britânico criasse um problema com o Brasil, país com que mantém ótimas relações, recusando a indicaçao de Bustani, que é uma escolha do novo governo brasileiro”, disse à Agência Estado uma alta fonte do Itamaraty. O diplomata admitiu que nao seria a primeira vez que um governo estrangeiro recusa um agreement apresentado pelo Brasil. “Pode acontecer, mas é muito raro”, salientou.