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Democracias e ditaduras

  • Por Editorial Do Jornal O Estado Do Paraná

A iminência de uma guerra entre os Estados Unidos e o Iraque nos leva a raciocinar sobre o verdadeiro papel das ditaduras e das democracias nos dias de hoje. Historicamente, as guerras sempre foram provocadas e iniciadas pelas ditaduras, entre elas ou contra alguma democracia. Fossem quais fossem os motivos, territoriais, econômicos ou outros, as democracias sempre se refrearam porque, tendo poderes independentes e harmônicos entre si, normalmente executivo, legislativo e judiciário e eleições em que direta, indireta ou de forma mista é expressa a vontade popular, os ímpetos da violência foram sempre reprimidos. A diplomacia, o diálogo, os acordos substituíam a truculência de uma guerra. O sistema democrático permite a busca de soluções com mais partícipes na sua discussão e exige um grande número de pessoas e forças para tomar uma decisão belicosa. Já as ditaduras dependem da vontade, vaidade ou loucura de um único homem.

O cineasta Woody Allen, em seu filme Bananas, referência a uma republiqueta da América Central, daquelas cujas plantações de bananas interessavam à multinacional norte-americana United Fruit, faz-se ditador e dá jocosos exemplos dessa onipotência dos tiranos. Dentre outros, baixa um decreto determinando que todos os soldados da republiqueta vistam uniforme com as cuecas do lado de fora das calças. Por quê? Porque um ditador faz o que bem entende.

Saddam Hussein, por exemplo, um chefe sanguinário, refestela-se em dezenas de palácios que mandou construir com o dinheiro do abundante petróleo de um país de povo miserável. Em todo o Iraque existem monumentos que são verdadeiros mausoléus à democracia e multiplicam-se estátuas e grandes fotos do ditador, vendido ao povo como um semideus. Ele faz a guerra, mas, desta vez, o que o mundo está vendo é uma democracia, os Estados Unidos, ensandecida pelo ataque de 11 de setembro e sob o comando insensato do presidente Bush filho, decidir começar a guerra, mesmo contra a opinião pública mundial e a ONU.

Não restam dúvidas de que esta será uma guerra em que a desculpa norte-americana de que os Estados Unidos são guardiães da democracia no mundo não servirá como escusa para a violência. E está muito claro que os interesses hegemônicos e econômicos relativos ao petróleo estão falando mais alto.

Temos o iminente enfrentamento de um gigante belicosamente poderoso, constituído como democracia, sob o comando insensato de Bush, contra um país de povo pobre e ditador rico do Oriente Médio, uma ditadura que, mesmo que não mereça nenhum respeito, está respaldada na autonomia de seu povo.

Quem perde com esta guerra? Perde a democracia, pois os Estados Unidos revelam-se uma democracia meramente formal, que não titubeia em usar a força contra um país independente. Perde o Iraque, porque mais fraco. E perde o mundo inteiro, pois levou séculos para sedimentar um regime, a democracia, que, mesmo não sendo perfeito, é o que de melhor a inteligência humana criou como sistema de convivência e de governo. E agora vê a sua democracia dita mais exemplar agir como uma ditadura.

Perde toda a humanidade, que, depois de tantos esforços, vinha tentando sedimentar a Organização das Nações Unidas. E esta guerra, à sua revelia, a faz desmoronar como um castelo de areia nas mãos de um Bush qualquer.

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