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Democracia imperial

  • Por Editorial Do Jornal O Estado Do Paraná

Ninguém está a favor da guerra dos Estados Unidos e apêndices contra o Iraque. Nem mesmo aqueles países cujos governos, opondo-se aos seus próprios povos, declararam apoio e até o ofereceram, simbólico, mínimo ou mesmo com armas e homens. O que há é negociações, trocas, compra de apoios, acordos de interesse econômico ou político, pressões forçando uma solidariedade que na verdade ninguém sente. Se a senhora mãe de George Bush ouvisse um mínimo do que sobre ele se diz mundo afora, mesmo depois de se ter enfeitado, penteado e maquiado para aparecer bonitinho na televisão, sofreria e ficaria furiosa. Mãe é mãe e, em qualquer sentido, ele é um “filho da mãe”. Mais sofisticado, não difere em muito do ditador Saddam Hussein no que se refere à ambição de conquistar territórios ricos em petróleo, como fez com o Kuwait.

Ninguém melhor que o Vaticano definiu os Estados Unidos sob Bush: É uma “democracia imperial”. A crítica partiu de um porta-voz, portanto revelava a opinião do pequeno país que é sede da Igreja Católica. Quanto ao papa, chefe do mundo católico, este sempre combateu aberta e francamente a sandice sádica de Bush invadindo o pequeno, pobre e quase desarmado Iraque. O cardeal Roberto Tucci, que foi durante muitos anos o organizador das viagens do papa, disse em mensagem na Rádio do Vaticano que os Estados Unidos são hoje uma “democracia imperial”. Adverte o prelado que existe um grave perigo na democracia imperial, pois os Estados Unidos, com sua potência militar e econômica, podem “autoproclamar-se árbitros de tudo”. Na prática, já vêm se autoproclamando nas sucessivas vezes em que puseram o bedelho onde não foram chamados e nas intervenções e guerras que provocaram ou apoiaram. O cardeal acrescentou que “o ataque norte-americano contra o Iraque é um fracasso da razão do Evangelho”. Acrescentou que esta guerra “está fora de toda legalidade e toda legitimidade internacional”. Lembremo-nos que não teve o aval da ONU e foi desencadeada porque Bush chegou à conclusão de que, mesmo usando todos os tipos de pressões de que dispunha, não o conseguiria. O mundo era e é contra essa estúpida guerra.

O cardeal Roberto Tucci acrescentou que “quando finalmente de tudo se souber, será possível perceber que esta guerra já estava decidida muito antes de ser conhecido o resultado do trabalho dos inspetores da ONU para o desarmamento do Iraque e isto é muito grave”. O desarmamento foi um pretexto apenas.

Amanhã, vencido militarmente o Iraque, o que fará a “democracia imperial” com a Coréia do Norte que a desafia? E com o Irã, que o “império” colocou previamente no “eixo do mal”. Bush usa uma linguagem que faz pensar esteja acreditando que é um enviado de Deus. Do Deus dos cristãos, o nosso, para salvar o mundo de males como ditaduras, do comunismo, das bombas nucleares que julga privilégio dos Estados Unidos e oxalá não venha um dia a imaginar que é sua obrigação reviver as cruzadas ou tutelar a Amazônia. A título de propaganda, sempre disse que estava libertando o povo iraquiano da tirania de Saddam Hussein. Entretanto, imagens transmitidas pela televisão ao mundo inteiro, mostrando a entrada no Iraque de tropas terrestres dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, mostraram o hasteamento de bandeiras norte-americanas em território iraquiano e a retirada de bandeiras daquela nova vítima da “democracia imperial”.

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