A Volkswagen do Brasil afirmou, em nota, que espera que uma solução para o impasse nas negociações com os empregados da fábrica Anchieta, no ABC paulista, seja encontrada até o fim da primeira quinzena de setembro, mas reiterou que as demissões anunciadas estão suspensas somente até que o processo de negociação seja encerrado e que cortar funcionários é uma medida necessária para garantir a continuidade das operações da fábrica Anchieta.
Reuniões entre a montadora e o sindicato devem ocorrer ao longo desta semana. "A Volkswagen reafirma a necessidade de adequação do seu quadro de pessoal em 3,6 mil pessoas nos próximos anos, porém está aberta para discutir as condições para sua realização", disse em nota o gerente executivo de Relações Trabalhistas Corporativo da Volkswagen, Nilton Junior.
Após assembléia dos funcionários, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC, José Lopes Feijóo, anunciou que o movimento de greve será retomado caso não haja acordo sobre as demissões de 1,8 mil trabalhadores da Volkswagen que receberam cartas até a próxima terça-feira, 12 de setembro, quando deve ocorrer nova assembléia. "Até a próxima terça-feira, a greve está suspensa para um processo de negociação. Nós esperamos que a empresa chegue com uma verdadeira proposta de negociação para ser apresentada aos trabalhadores. Caso contrário, retomamos imediatamente todo o processo de luta", disse.
Feijóo reconheceu que, numa negociação, as duas partes fazem propostas novas e analisam as já existentes, mas argumentou que a empresa tem de mudar sua atitude. "A Volkswagen tem de se desarmar da postura que tomou desde o dia 3 de maio e estar propensa a encontrar saídas que não sejam aquelas que ela apresentou até agora", considerou. Ele reiterou que não aceitará demissões ou corte de direitos. "Nós queremos trabalhar, queremos novos carros para produzir aqui. Esses trabalhadores são extremamente qualificados. Nós podemos conquistar espaços de mercado que a VW deixou de ocupar à medida que não apresentou modelos para esse segmentos.
Em princípio, Feijóo descartou a possibilidade de aceitar um Plano de Demissões Voluntárias (PDV). "Nós vamos negociar. Não vamos levar nenhuma proposta a priori", afirmou. "O que nós queremos é a solução para esse problema. De preferência, vamos tratar de preservar os empregos. É por isso que vamos trabalhar.
O dirigente disse ter esperanças de que as negociações avancem. "Eu já cansei de ver situações muito difíceis para as quais acordos pareciam impossíveis", lembrou, citando o próprio caso da Volkswagen, em 2001, quando mais de três mil demissões foram revertidas e um acordo de cinco anos de estabilidade, que termina em novembro deste ano, foi firmado. "Se a atitude da empresa de reconvocar um processo de negociação for sincera, se não for um processo de teatralização, é bem-vinda e vamos apostar nela", afirmou.
Em sua opinião, não há crise no setor automotivo. "A Volkswagen investiu muito em capacidade produtiva quando, na verdade, tinha de investir muito em novos modelos. E é esta falha da Volkswagen que faz com que, agora, ela tenha de, no mundo inteiro, ficar pressionando trabalhadores e ameaçando com demissões e corte de direitos", finalizou, citando casos de montadoras que estão investindo em novos modelos e contratando funcionários no País.


