O delegado Rodrigo Carneiro Gomes, da Polícia Federal, informou hoje que considera "decisivo" o depoimento do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para esclarecer a cadeia de comando responsável pela violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo Gomes pediu aos advogados do ex-ministro que o mantenham de sobreaviso porque ele pode ser intimado a qualquer momento. "A nossa intenção é ouvi-lo logo", informou o delegado por meio da assessoria da PF.

Mas o depoimento de Palocci pode ficar para o fim de semana ou até mesmo a próxima semana porque, antes dele, Gomes quer ouvir de novo o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, que deixou muitas lacunas no interrogatório da última segunda-feira. Ele espera também fechar as perícias e realizar novas diligências para constatar se a violação do sigilo bancário do caseiro ocorreu antes do dia 16, quando Mattoso assume ter pedido uma pesquisa de conta para verificar movimentação atípica de recursos de Nildo.

A suspeita da PF é que Mattoso contou menos do que sabe para proteger outros membros do alto escalão do governo. Não ficou claro, por exemplo, de quem Mattoso obteve a informação inicial de que o caseiro tinha recebido depósitos altos na conta ou quem lhe pediu para quebrar o sigilo bancário de Nildo. Há várias versões que precisam ser checadas, uma delas é a de que a encomenda da quebra de sigilo teria partido do próprio Palocci ou de algum assessor dele.

A PF não encontrou elementos para estender a investigação ao senador petista que teria dado o primeiro alerta sobre movimentações altas de dinheiro na conta do caseiro, a partir de informações do jardineiro da mansão onde também trabalha Nildo. Mas falta checar a versão de que o primeiro alerta teria partido da Receita Federal, o que configuraria um complô de órgãos de estado para perseguir um cidadão humilde. A Receita já negou a acusação em nota oficial.

As primeiras avaliações da polícia, com base no cruzamento de dados da perícia com os depoimentos já tomados, indicam que houve violação do sigilo bancário de Nildo antes do dia 16 de março. Ou seja, antes mesmo que Mattoso solicitasse a auxiliares uma pesquisa de conta e a impressão dos extratos do caseiro. A polícia quer saber de onde partiu a informação prévia como foi obtida e qual o objetivo. Com isso, a PF quer descobrir se Mattoso agiu por conta própria, como quis fazer crer no primeiro depoimento, ou se está articulado com outras membros do governo.