Delcídio diz que CPI não tem como analisar novas denúncias

Brasília – O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse hoje (10) que a comissão não tem capacidade de analisar as novas denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre o "mensalão" – segundo as quais o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo repassaria recursos a partidos políticos – enquanto houver dúvidas sobre a veracidade da lista com o nome de parlamentares beneficiados pela estatal. Delcídio acredita que, na próxima semana, com Toledo depondo na comissão na quarta-feira, será possível fazer um "juízo de valor" sobre as declarações de Jefferson publicadas hoje. "Esta lista causou uma polêmica muito grande e eu acredito que em função das decisões da CPI, estamos criando condições para esclarecer os fatos", afirmou. "Será uma semana de tensão, mas que eventualmente pode-se esclarecer muita coisa".

Dimas Toledo é apontado como autor da lista com 156 nomes de políticos que teriam se beneficiado com recursos do caixa 2 na campanha política de 2002.

Para o senador, a comissão tem de levar em conta uma série de fatores antes de decidir investigar as últimas denúncias de Roberto Jefferson. "Vamos aguardar, eu sempre tratei este assunto com cautela. Primeiro, em função das condições, depois, evidentemente, pelas conseqüências que isto pode trazer; portanto, temos de ter serenidade", defendeu.

Delcídio disse que, antes de atrair novas apurações para a CPI, é necessário ouvir o depoimento do ex-diretor de Furnas e analisar os depoimentos concedidos à Polícia Federal pelo lobista Nilton Monteiro, que distribuiu a lista. Também depois desta fase é que, segundo ele, a CPI vai decidir sobre a data da convocação de Monteiro, aprovada em agosto.

Sobre a convocação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para que ele fale sobre a autenticidade ou não da lista de Furnas – como quer a oposição – Delcídio acha que, por enquanto, a medida não se justifica. Segundo ele, é preciso "queimar etapas", como entende ser a decisão de, antes de ouvir o ministro, pedir à Polícia Federal que se manifeste sobre a autenticidade da lista. "A Polícia Federal é o órgão para legitimar ou não este documento".

Já na apuração do dinheiro movimentado pelo publicitário Duda Mendonça no exterior, o senador prevê que ainda serão necessárias duas semanas para cruzar os dados que os promotores de Nova York vão mandar à CPI. "É só uma questão de tempo, como o programa tem uma capacidade grande de cruzar informações telefônicas e bancárias, eventualmente vamos analisar se aparece alguma novidade no meio do caminho", afirmou.

Pela previsão do relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o acerto de a comissão concluir suas investigações até o dia 20 de março inviabiliza as chances de ir mais fundo nas denúncias envolvendo Furnas. "Estamos numa encruzilhada, ao mesmo tempo em que somos exigidos a concluir os trabalhos, nos jogam mais material", alegou. O relator disse que por ora, a única opção existente para a comissão é a de concluir as investigações sobre irregularidades nos Correios e Telégrafos, nos fundos de pensão e no Instituto de Resseguro do Brasil (IRB) e de avançar no que for possível nos demais casos encaminhados à CPI.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.