Primeiro foi a dominação pelo sexo. Depois a influência de um certo espírito Negão. Agora é a sexualidade de Marísia, mãe de Suzane von Richthofen, que a defesa da jovem ameaça usar para tentar absolvê-la da acusação de homicídio triplamente qualificado. "Os advogados estão dizendo que uma das teses de defesa é a de que Marísia tinha um caso homossexual", disse ontem o promotor Nadir de Campos. "São histórias de ironia e deboche. É um achincalhe da Justiça.

"Isso está no processo", afirmou um dos advogados de Suzane, Mário Sérgio de Oliveira. "Ela disse, em um dos interrogatórios, que o pai brigava com a mãe, na frente dos filhos, devido à suspeita de um relacionamento homossexual da mãe.

Oliveira disse não saber se Marísia tinha ou não um caso extraconjugal. "Se a Suzane demonstrar, nas entrevistas que estamos fazendo com ela, que isso possa ter influenciado, podemos falar disso no júri. Mas, a princípio, não tem relação com o júri. Não foi por esse motivo que o crime aconteceu.

A mulher apontada como amante de Marísia, que pediu para não ser identificada, disse ter ficado chocada com a informação. "É mentira, um absurdo, o fim do mundo." Ela vai procurar advogados para se preservar e se defender

"Mesmo que ela fosse (homossexual), e daí? Agora querem o linchamento moral dos pais. É um absurdo", indignou-se o assistente de acusação, Alberto Toron. "É de uma covardia atroz. Acho que isso vai se voltar contra Suzane.