O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), enviou nesta segunda-feira à corregedoria da Casa, cópia da defesa antecipada do deputado João Herrmann (PDT-SP), acusado pela CPI dos Correios de receber uma mesada em torno de R$ 3 mil da empresa de transporte aéreo Beta. Nervoso com as suspeitas e empenhado em evitar uma denúncia ao Conselho de Ética, o próprio Herrmann tomou a iniciativa de procurar Rebelo hoje, com documentos que explicam a razão dos depósitos da Beta a seu favor. A CPI suspeita de que a empresa, em parceria com a Skymaster, fraudava licitações dos Correios.
Herrmann chegou no início da tarde à casa de Rebelo, onde os líderes partidários já aguardavam o começo da reunião para discutir a pauta da convocação extraordinária. Muito abalado e trêmulo, a ponto de ter dificuldades para virar as páginas de sua defesa escrita, o deputado apresentou ali mesmo, diante de todos, seus argumentos. Mostrou notas fiscais com datas e valores idênticos aos dos depósitos suspeitos. Seriam recibos de despesas com o aluguel e o motorista de um carro blindado usado para levar à escola os filhos dele e de seu amigo Ioannis Amerssonis, presidente da Beta.
Segundo um dos líderes presentes, Herrmann também exibiu extratos bancários com o registro dos saldos em sua conta corrente, sempre na faixa dos R$ 600 mil ao milhão de reais. E fez questão de não deixar dúvidas de sua fortuna, ao revelar que seu patrimônio pessoal é de cerca de R$ 20 milhões, sem contar o de sua mulher. Em "nota política e pessoal" divulgada na sexta-feira, ele já havia declarado que sua amizade com Ioannis "não se abriga sob governos" e falado da "grande convivência" entre as duas famílias.
"Ele deixou cópia de tudo e me pediu que enviasse logo à Corregedoria", contou Rebelo, depois do encontro. "O corregedor Ciro Nogueira (PP-PI) é quem tem condições de analisar com mais tempo todos os dados". Na sexta-feira, Rebelo havia anunciado sua disposição de se reunir hoje mesmo com Ciro Nogueira para examinar o caso Herrmann. Mas como o corregedor só chegaria à noite em Brasília, o presidente da Câmara limitou-se a enviar-lhe os documentos apresentados pelo parlamentar.
Encerrada a conversa com Rebelo e os líderes, o deputado viajou em seguida para São Paulo, para participar do funeral do presidente de honra do PDT paulista e prefeito de Americana, Waldemar Tebaldi. Mas divulgou à tarde uma segunda nota oficial sobre as denúncias, revelando que também conversara com o sub-relator da CPI, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), especialmente para pedir que fosse ouvido "de imediato" pela comissão. "Desejo dar conta à CPI de todos os atos praticados pelo meu mandato que, afirmo, nunca o foram para benefícios privados de quem quer que seja".


