As fortes chuvas que atingiram o Paraná na noite de sexta-feira (19) e que causaram o desmoronamento de barrancos, destelhamentos, enchentes e quedas árvores colocaram a Defesa Civil do Paraná em alerta. O caso mais grave é o de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde Rio Ressaca avançou 60 metros além de suas margens e deixou cerca de 2.500 famílias desalojadas. Enquanto a média histórica de chuvas na RMC em janeiro é de 160 milímetros, somente na sexta-feira, em uma hora, o nível foi de 40 mm.

?Estamos trabalhando em conjunto com a Coordenadoria de Defesa Civil do município e dando toda a assistência e assessoria necessária?, explica o tenente Eduardo Pinheiro, da Defesa Civil Estadual. Segundo ele, está sendo feito o levantamento para avaliar o nível de estragos em São José dos Pinhais. Ainda segundo o tenente, a prefeitura poderá solicitar ajuda para o Governo do Estado, ficando a cargo de ambos os executivos esta negociação.

São José dos Pinhais

As famílias desalojadas em São José do Pinhais estão temporariamente em casas de familiares ou amigos. Não há desabrigados. A coordenadoria da defesa civil do município estuda a implantação de um abrigo público em uma escola da localidade de Águas Belas, uma das mais atingidas pelo temporal.

Entre o Aeroporto Internacional Afonso Pena e a Avenida Comendador Franco (Avenida das Torres), 17 bairros foram atingidos. Os mais afetados foram Jardim Curziero, Ouro Fino, Jardim Idalina e as proximidades da Rua Pedro Ilia. O Corpo de Bombeiros realizou a remoção de mais de 200 pessoas do local. ?A água, em alguns locais, atingiu cerca de 1,60 m. Ela entrava nas residências, ficava represada até quebrar o muro e invadia outras moradias, fazendo um efeito dominó?, relata Pinheiro. Nas margens do rio, em algumas localidades, houve erosão e até o comprometimento de calçadas.

?O município tem condições de realizar o atendimento e já está verificando os danos, para verificar se será decretada a situação de emergência?, diz. Ele explica que caso seja necessário, o município também deverá providenciar alojamento e alimentação para essas pessoas. O tenente também lembrou que o Paraná foi um dos cinco estados, em 2003, a implantar coordenadorias municipais de defesa civil e que a Defesa Civil Estadual está trabalhando em conjunto com o município.

Mais chuva

Estão previstas mais chuvas para a noite de sábado na capital e Região Metropolitana. A avaliação é do Simepar que acompanha durante 24 horas as condições meteorológicas e alerta a Defesa Civil sobre possibilidades de fortes chuvas, temporais e granizo no Estado. ?Neste caso foi o que aconteceu. O Simepar nos enviou as informações que prontamente foram passadas para a Regional responsável pela área e para o município, para que todos estivessem preparados?, explica.

Pinheiro também pede que as pessoas monitorem os níveis de água dos córregos e, caso percebam algo que fuja da normalidade, entrem em contato com os telefones 193 e 199. No caso de São José dos Pinhais, especificamente, também pode ser utilizado o número 153.

Outras regiões

As chuvas também causaram estragos em outras regiões do Estado. Em Ponta Grossa, houve o desmoronamento de um barranco que quase levou junto um carro. Foi necessária a intervenção do corpo de bombeiros e o carro foi ancorado e puxado com cabos. Um alagamento também foi registrado, mas não chegou a invadir as residências.

Na região de Londrina, foram registradas três quedas de árvores, uma delas em uma residência. Em Foz do Iguaçu, os ventos chegaram até 50 km/h. Em Marechal Cândido Rondom cinco destelhamentos e três quedas de árvores foram notificadas. Já em Maringá, apenas duas quedas de árvores foram registradas.

Energia Elétrica

O temporal também causou a interrupção no fornecimento de energia elétrica em algumas regiões do Estado, como no Oeste do Paraná. Os fortes ventos e a chuva trouxeram problemas nos postes e fios, assim como as quedas de árvores. Técnicos da Copel estão trabalhando desde sexta-feira para normalizar o serviço da maneira mais rápida possível.