Decisão do Fed é benéfica para o Brasil, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerou positiva a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de manter os juros inalterados em 5,25%. Em entrevista nesta tarde à TV Bloomberg, o ministro afirmou que se trata de uma boa notícia, que vai acalmar os mercados mundiais e trazer de volta o otimismo que prevalecia na economia mundial antes das recentes altas dos juros nos Estados Unidos. Para ele, o impacto nas bolsas mundiais será positivo.

Falando especificamente sobre o impacto na economia brasileira, Mantega disse que a manutenção dos juros norte-americanos vai impulsionar ainda mais as exportações brasileiras, já que a tendência é que a economia mundial se mantenha em ritmo de crescimento acelerado. ?O Brasil vai exportar mais e isso significa que nossa economia vai continuar a crescer?, afirmou.

PIB

Na entrevista, Mantega reiterou que a economia brasileira deve crescer entre 4% e 4,5% neste ano – estimativa muito acima da mediana das projeções do mercado, de 3,6%, segundo o último relatório Focus. ?Estou otimista. Olho para as condições estabelecidas e vejo que nunca na História reunimos tantas condições de crescimento?, afirmou. O ministro destacou, como fatores para o crescimento, o aumento da massa salarial, do crédito consignado e do nível do emprego. Esses fatores, somados indicam para um aumento da demanda, puxando o crescimento.

Questionado sobre se os dados fracos da produção industrial de junho, medida pelo IBGE (-1,7% sobre maio), não interfeririam nessa projeção, o ministro disse que o desempenho da atividade industrial de junho foi impactada negativamente pela Copa do Mundo e por greves, que limitaram a entrada de insumos no País. ?Isso perturbou a produção?, ressaltou.

Dados antecedentes de julho, como o desempenho das exportações, da indústria automobilística e da construção civil, mostram que a atividade está muito melhor do que no mês anterior, afirmou. Com o aumento da demanda e os juros em queda, ?não há razão para que esse crescimento seja interrompido, já que, neste ano, o maior fator de crescimento é o mercado interno?. Além disso, o segundo semestre do ano será mais aquecido do que o primeiro, impulsionado também pela antecipação do 13º dos aposentados.

Selic

Segundo Mantega, o Brasil reúne hoje todas as condições favoráveis para a queda nos juros. Ele ressaltou que a taxa básica de juros (Selic) completará, em setembro, um ano de reduções seguidas, e destacou que essa não é a única taxa de juros que importa para a economia brasileira – a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), por exemplo, lembrou o ministro, já caiu para 7,5%. Com a inflação sob controle, o equilíbrio fiscal, a baixa vulnerabilidade externa, ?as taxas de juros terão de cair no Brasil?, disse.

Mantega reforçou que, com a reunião de todas essas condições e mais o cumprimento da meta de superávit primário, a trajetória dos juros será decrescente e poderá chegar a 5% reais ao ano, ?mas não no curto prazo.? E completou: ?Isto não é previsão para este ano, pois o Copom (Comitê de Política Monetária) tem toda a liberdade para definir a trajetória das taxas.

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