Brasília (AE) – O empresário Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, foi convocado a falar tanto na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão quanto na dos Correios. Os parlamentares das duas CPIs querem que ele explique porque empresas das quais é acionista, como a Telemig Celular e a Amazônia Celular, transferiram R$ 128,5 milhões para as empresas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, suspeito de ser o distribuidor do dinheiro do esquema de corrupção montado pelo PT. O depoimento à CPI dos Correios foi marcado para o dia 14; na do Mensalão ainda não há data definida.

De acordo com documentos em poder das duas CPIs, a Telemig pagou à DNA e à SMP&B, de 2000 até este ano, R$ 95,3 milhões; a Amazônia Celular, R$ 33,2 milhões. Marcos Valério disse à CPI que tem as contas de publicidade das duas empresas. No caso da Telemig, os parlamentares até que não têm muita desconfiança. Mas com relação à Amazônia, acham que as operações são suspeitas. De 2000 a 2002, o repasse anual foi de cerca de R$ 1 milhão. Em 2003, primeiro ano do governo petista, subiu para R$ 9,4 milhões; em 2004, para R$ 14,2 milhões e em 2005, até agora, R$ 7,4 milhões.

Para compensar a convocação de Daniel Dantas – pedida pelo PT, com o apoio dos deputado Moroni Torgan (PFL-CE), Fernando Coruja (PPS-SC), Julio Redecker (PSDB-RS), Luiz Antonio Fleury (PTB-SP) e Darcísio Perondi (PMDB-RS) -, os senadores Heráclito Fortes (PFL-PI) e Rodolpho Tourinho (PFL-BA) e o deputado José Carlos Araújo (PFL-BA) decidiram levar à CPI o presidente do Citi Group do Brasil, Gustavo Marin, adversário do dono do Opportunity. "Dantas terá de explicar suas ligações com Marcos Valério", afirmou o senador Sibá Machado (PT-AC). "Marin terá de explicar suas ligações com o PT", rebateu o senador Heráclito. Como Dantas, Marin não sabe ainda quando vai depor na CPI do Mensalão.

A mesma CPI decidiu convocar para depor o ex-presidente do PT e ex-deputado José Genoino, mas não estabeleceu a data.

Por requerimento do relator, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), foram requisitadas pela CPI do Mensalão as cópias das ações de cobrança dos bancos BMG e Rural para os empréstimos feitos por Marcos Valério. E também cópia da ação em que o empresário cobra empréstimos que teria feito ao PT.

Abi-Ackel convidou ainda o senador Rodolpho Tourinho e a deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) para, como sub-relatores, ajudá-lo a fazer o relatório final. A decisão provocou ciumeiras no senador Sibá Machado. "Quero que também sejam escolhidos sub-relatores do governo. Aí só tem da oposição", disse Sibá. "Não levei em consideração a questão partidária, mas a experiência. Tourinho foi dirigente de banco e Zulaiê relatora da reforma do Judiciário", respondeu Abi-Ackel. Sibá não sabia que regimentalmente a escolha de relator em qualquer comissão não se dá por votação, mas por indicação pessoal.