O Diário Oficial da União trouxe hoje a edição da Medida Provisória 324 que abre crédito em favor dos ministérios da Agricultura, Fazenda, Justiça, Previdência, Trabalho, Transportes, Defesa, Desenvolvimento Social, Cidades e Combate à Fome, no valor de R$ 1,504 bilhão.

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Parte dos recursos liberados na primeira semana pós primeiro turno das eleições, foi distribuída de forma dirigida, para atingir áreas onde o candidato Lula foi mal nas urnas. São Paulo por exemplo, receberá R$ 19,1 milhões para equipar a Polícia Federal e montar uma central de inteligência contra o crime organizado. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País e onde a vantagem de Lula sobre o candidato Geraldo Alckmin ficou abaixo da esperada, foi aquinhoado com cerca de R$ 58 milhões para obras rodoviárias.

A liberação do dinheiro ocorre onze dias depois de o governo anunciar um corte de R$ 1,6 bilhão em suas despesas. Mas o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, negou que a liberação tenha sido decidida com o intuito de ajudar a campanha eleitoral do presidente Lula. "As pessoas de boa fé não farão essa leitura", disse. Bernardo insistiu que a liberação foi feita com base em critérios técnicos. "Nós não paramos o governo por conta das eleições".

Do total liberado, R$ 1,3 bilhão correspondem ao superávit financeiro da União (dinheiro que foi arrecadado no final de 2005 e não havia sido gasto). O restante eram recursos que já estavam no Orçamento, mas foram remanejados de uma obra para outra.

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Para demonstrar que as liberações não tiveram fim eleitoreiro, Bernardo frisou que mais de um terço dos recursos, R$ 540 milhões, sairão dos cofres públicos para atender a uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). Outros R$ 300 milhões vão para a Receita Federal reforçar seus programas de arrecadação e fiscalização.

O Ministério da Previdência receberá R$ 160 milhões para melhorar o atendimento aos beneficiários nos postos e seu sistema de processamento de dados. O Ministério dos Transportes recebeu um total de R$ 231 milhões, sendo que R$ 123 milhões já estavam destinadas à pasta, mas a outros programas. Segundo Paulo Bernardo, o governo optou por retirar verbas dos projetos mais atrasados e colocá-los nos que caminham de forma mais acelerada.

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