Uma interlocução mais efetiva com os movimentos sociais é o que a Central Única do Trabalhador (CUT) espera do governo Lula. A afirmação é da primeira secretária da CUT, Denise Mota Daw. Para ela, o diálogo do governo com outros setores da sociedade devem ser mais eficientes. "Os debates precisam avançar mais, não só com movimentos ligados à terra, mas também com os que lutam pelo sistema público de saúde, que lutam em defesa da educação, da igualdade racial e os que lutam contra a discriminação da mulher".

A secretária diz ainda que o ritmo da reforma agrária precisa ser acelerado. "Ainda há muito a ser feito. Não apenas assentamentos, mas também a democratização do acesso a dados sobre terras produtivas e improdutivas, sobre o processo de diagnóstico da situação dessas terras", declarou.

Segundo ela, a CUT entende que, apesar da reforma avançar, ainda não é suficiente. "Freqüentemente se tem notícias de assassinatos de lideranças do movimento sem-terra. Os mandantes e assassinos que reprimem esses grupos têm que ser punidos", afirmou. Para ela, as reivindicações dos sem-terra "fortalecem" os outros movimentos sociais e a reforma melhoraria as condições dos trabalhadores porque pode gerar empregos e distribuir renda.

Denise Mota defendeu também a definição de uma política permanente de recuperação do salário mínimo, para "não apenas fixar o índice a cada ano, mas definir pelo menos em médio prazo uma recuperação real do poder aquisitivo do salário mínimo".