Começou a ser testada nesta sexta-feira (7) a vacina chinesa CoronaVac em 852 voluntários selecionados do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. A expectativa é que, caso os testes apresentem sucesso, a vacina possa ser liberada para outros grupos da população, como idosos e portadores de doenças graves.

A imunização está sendo testada em profissionais de saúde todo o país expostos ao coronavírus. Além dos voluntários no Hospital de Clínicas, outros 11 núcleos de pesquisa em diferentes estados foram selecionados para a terceira e última fase de ensaios clínicos. 

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Nesta sexta-feira, a médica infectologista líder da pesquisa “Eficácia e Segurança da Vacina contra a covid-19” do Hospital de Clínicas da UFPR, Sônia Rabelo, explicou como está organizado o cronograma do teste no HC, durante entrevista coletiva. Nesta semana, as primeiras 20 doses da CoronaVac foram recebidas pela equipe de pesquisadores.

“Como nós temos um período curto, queremos atingir os 852 participantes no período de 45 dias, estamos nos programando. Todos passam por avaliação médica e laboratorial. E depois que o voluntário é liberado por critérios médicos, ela recebe a vacina ou o placebo. Ela fica por uma hora em observação para a avaliação de reações diversas e recebe depois de 14 dias a segunda dose”, explica a médica infectologista.

A eficácia da vacina será avaliada por uma equipe de 40 pesquisadores do HC. Os voluntários, que deverão receber a dose da vacina até o dia 10 de setembro, serão monitorados para avaliar a segurança da vacina. “Esse monitoramento pode decidir se a vacina será liberada para outras pessoas. A expectativa que todos estão trabalhando, é que até dezembro já tenha resultados suficientes para permitir a inclusão de mais pessoas na vacinação”, comenta.

A equipe de pesquisadores vai avaliar não só a resposta imunológica dos voluntários, mas também as reações diversas da imunização. “Podem acontecer eventos imediatos, como uma reação alérgica a algum componente da vacina, no local da aplicação, como lesões e manchas, como até anafilaxia [reação alérgica grave que pode ser fatal]”, revela a médica líder da pesquisa. 

Outras manifestações também podem acontecer, como febre, dor muscular, ou sintomas de resfriado. E para entender melhor como o organismo vai reagir com a vacina, os voluntários serão acompanhados por um período de um ano. Quanto menor forem as reações adversas entre o grupo participante da vacinação, maiores serão as chances de sucesso e liberação da CoronaVac.

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Quem são os voluntários

No Hospital de Clínicas de Curitiba, participam da pesquisa da vacina chinesa voluntários que trabalham na linha de frente do coronavírus. Do total de 900 pessoas que passaram por uma primeira triagem, em torno de 600 são profissionais da área médica. Há também técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos e pessoas que trabalham na área de pronto-atendimento.  

Em Curitiba, todos os participantes têm idade entre 18 e 59 anos. Ao todo, 9 mil homens e mulheres participam do estudo no país. Em centros de pesquisa de São Paulo, porém, a restrição de idade é menor pois há participação no estudo de voluntários acima de 60 anos.