Uma parceria entre o Governo do Paraná e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai garantir R$ 18 milhões para auxiliar a pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no desenvolvimento de um novo imunizante contra a Covid-19. A proposta surgiu depois que a universidade lançou campanha para arrecadar doações financeiras de pessoas físicas e jurídicas no desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 e outras doenças.

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A vacina da UFPR deve entrar na chamada fase clínica (com testes em humanos) do imunizante contra o SARS-CoV-2 em 2022, momento em que serão necessários novos recursos financeiros. Agora, com o recurso destinado pelo TCE, a universidade poderá dar continuidade aos testes pré-clínicos da vacina, com a estruturação dos laboratórios onde serão feitas as próximas fases do estudo.

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O repasse foi acordado nesta segunda-feira (12) em reunião entre o governador Carlos Massa Ratinho Junior; o presidente do TCE, Fabio Camargo; e o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca.

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O valor é fruto de economias nas despesas do TCE no atual exercício. O órgão vai antecipar a devolução do recurso superavitário ao Tesouro Estadual, o que seria feito no final do ano, para que o Governo do Estado faça o repasse imediato à UFPR. A previsão é que o pagamento já ocorra na semana que vem.

O Governo do Estado já tinha destinado, em abril, R$ 700 mil para apoiar o desenvolvimento da vacina da UFPR. O recurso, da Unidade Gestora do Fundo Paraná (UGF), vinculada à Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), ajudou nos estudos pré-clínicos do imunizante, com o pagamento das bolsas e aquisição de insumos.

“Provavelmente, a vacinação contra a Covid-19 será semelhante à da gripe, com o trabalho de imunização feito todos os anos. E a UFPR, uma universidade centenária que é grande parceira do Estado, tem avançado na pesquisa de uma vacina paranaense”, disse o governador. “O Governo do Estado, junto com o Tribunal de Contas e a Universidade Federal, traz novos investimentos para auxiliar essa pesquisa dos professores e cientistas”.

O presidente do TCE, Fabio Camargo, disse que houve um esforço dentro do órgão para reduzir os gastos, o que já tinha permitido um repasse de R$ 20 milhões ao Governo do Estado em abril, para ampliar as ações de enfrentamento à Covid-19. No ano passado, o TCE também chegou a destinar recursos para a área, juntando-se aos repasses feitos pela Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público e por outros órgãos e empresas paranaenses.

“Nossa orientação, desde o início da pandemia, é maximizar o uso dos recursos financeiros, para economizar e contingenciar o máximo possível as despesas”, disse Camargo. “Fizemos um compromisso com a vida. Sabemos desse trabalho sério da UFPR e resolvemos utilizar o valor economizado para apoiar a pesquisa da vacina paranaense. É um compromisso que já tem data para acontecer, não precisamos esperar o ano acabar”.

Vacina usa proteína spike da Covid-19

Os pesquisadores da UFPR usaram um polímero bacteriano chamado polidroxibutirato (PHB), que utiliza a proteína spike da Covid-19, responsável por ligar o coronavírus às células humanas e de outros mamíferos. As partículas do PHB são recobertas com a proteína do Sars-CoV-2, induzindo o organismo a uma forte resposta imune. Esse fato já foi demonstrado em camundongos.

A universidade precisa agora dar continuidade à pesquisa, que está na fase pré-clínica, com testes em animais. O valor de R$ 18 milhões vai permitir a criação de uma infraestrutura laboratorial com base nas certificações exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o desenvolvimento do imunizante. “A vacina é promissora e, além de paranaense, vai ter baixo custo e usará insumos nacionais”, afirmou Fonseca.

A tecnologia que está sendo aplicada no desenvolvimento do imunizante, destacou ele, já é estudada há bastante tempo pelo setor de Ciências Biológicas da UFPR. “Isso mostra que o investimento consistente e contínuo em ciência e tecnologia sempre capacita melhor as sociedades enfrentarem emergências sanitárias como a que vivemos agora”, acrescentou.

Para o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, todo investimento em ciência é bem-vindo, porque a pesquisa atual pode contribuir com a erradicação de outras doenças transmissíveis no futuro. “Precisaremos ter mais conhecimento para, quem sabe, também, iniciar a produção de vacinas no Estado com mais força”, disse o secretário.

“Somando todo o conhecimento acumulado pela UFPR, com seus pesquisadores, cientistas e professores, juntamente com os recursos do TCE, podemos dar um pontapé inicial para ter uma vacina paranaense contra a Covid-19, além de fortalecer o sistema de pesquisa do Estado, inclusive com a participação do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar)”, ressaltou.