Desavenças, possivelmente ligadas ao tráfico e consumo de drogas, provocaram a morte de quatro pessoas durante a tarde e noite de sábado (31), e madrugada de domingo (1º), em Curitiba. Em todos os homicídios, os assassinos usaram arma de fogo, sendo que em um dos casos, a vítima foi atingida por 12 tiros de pistola 9mm, seis deles na cabeça. Dois crimes aconteceram no bairro Cajuru e os outros dois foram registrados no Sítio Cercado e Tatuquara, região Sul da capital.

Por volta das 13h de sábado, Samuel Nunes Pereira, 23 anos, foi executado por dois homens de óculos escuros, vestindo preto, na Rua Raimundo Faustino Pelanda, Tatuquara. Os assassinos chegaram em um Santana azul, desceram, foram direto ao rapaz e fizeram os 12 disparos, para fugir com o mesmo veículo. Um usuário de drogas comprava entorpecentes do rapaz no momento do crime, mas os assassinos nem olharam para ele.

Ele descreveu os assassinos para a polícia e foi liberado. Um irmão de Samuel foi ao local e após se identificar, recolheu aproximadamente R$ 130 reais que estavam no bolso do rapaz, antes de o corpo ser encaminhado ao Instituto Médico-Legal. Imagens de uma câmera de segurança, instalada numa casa em frente o local do crime, podem ajudar na identificação dos assassinos.

Ameaçada

No inicio da noite, o segundo crime aconteceu, na Rua Mamanca, perto da esquina da Rua da Fraternidade, Cajuru. Jennifer Rodrigues da Penha, 22, estava em frente à casa de uma amiga quando foi baleada no pescoço e no peito. Segundo a irmã dela, a moça estava sendo ameaçada por traficantes, para quem estava devendo crack. Os policiais ouviram a colega dela e algumas testemunhas para tentar chegar aos bandidos, mas pouco foi repassado pelos depoentes.

Mocó

No mesmo bairro, mas já durante a madrugada deste domingo, mais tiros foram disparados. Foi dentro de uma residência abandonada, na Rua Doutor João Luiz Bettega. Um homem, não identificado, aparentando ter de 25 a 30 anos, morreu com dois tiros no peito.

O local é conhecido pelos vizinhos pela presença de usuários e moradores de rua. “Ouvir tiros ficou tão comum aqui no bairro que a gente nem sai mais de casa para ver do que se trata. Moro há 28 anos no bairro e nunca tinha visto esse cara por aqui”, disse o morador, que vive em frente ao “mocó”.

Ribeirão

Horas antes deste crime, os bombeiros foram chamados para recolher um corpo dentro do Ribeirão dos Padilhas, próximo a Rua David Tows, Jardim Coqueiros, Sítio Cercado. Tratava-se de Valdir de Assis Vieira, 50, que era ex-presidiário e, segundo depoimento de familiares à polícia, também usuário de drogas. De noite, ele saiu de casa e disse para a filha que iria ao bar. No caminho, cruzou com um homem, que tinha um cobertor sobre os ombros. Este indivíduo atirou duas vezes contra Valdir, que caiu na água.

Enquanto resgatavam o corpo, os bombeiros encontraram o cobertor usado pelo assassino, boiando. Esse caso, além dos outros três, está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios.