Três anos após se mudar para a Rua Senhorinho Gonçalves Pedroso, no bairro Cajuru, Eurídice Silva* passou a conviver diariamente com as consequências de um lixão improvisado próximo à sua casa. Um terreno desocupado da via vem sendo usado como ponto irregular de despejo de resíduos, alterando a rotina dos moradores.
Na mesma rua, Patrícia Gusmão*, que também vive na região, afirma que o terreno está abandonado durante todo esse tempo. Segundo ela, o problema começou de forma pontual, mas se agravou. “No começo, jogavam lixo no fundo do terreno, mas agora estão jogando até na calçada”, relata.
Entre os materiais descartados estão móveis velhos, espumas de colchões, restos de estofados, entulho de obras e sacos de lixo doméstico. O acúmulo favoreceu o aparecimento de pragas, como baratas, ratos, escorpiões e até cobras, aumentando a sensação de insegurança.
“Todos os dias, quando chego do trabalho, preciso olhar se não tem algum desses bichos dentro de casa. Imagina se a gente não percebe?”, questiona Patrícia. O medo das moradoras é que a situação coloque em risco crianças pequenas e animais de estimação.
Terreno abandonado é herança familiar
Moradora da rua há oito anos, quando Eurídice se mudou para o bairro, o terreno ainda abrigava uma casa. O imóvel foi demolido após o falecimento do antigo proprietário. Hoje, restam apenas vestígios da construção, como uma pilastra do muro e a calçada em frente à área, agora tomada por vegetação.
Após a demolição, os herdeiros fizeram apenas uma limpeza inicial, sem cercar o espaço. Com isso, o local passou a ser usado de forma recorrente para o descarte irregular de lixo, por ser de fácil acesso. Segundo os moradores, motoristas chegam a parar no trecho apenas para jogar resíduos.
Na tentativa de resolver o problema, os moradores recorreram diversas vezes à Central 156 da Prefeitura. “Venho ligando para a prefeitura para retirar os entulhos. Estamos aborrecidos. Não temos nem uma ajuda para resolver”, conta Eurídice.
O último protocolo registrado por ela foi aberto no dia 5 de janeiro. Ela afirma que até agora não houve retorno. Patrícia também afirma já ter feito mais de uma solicitação, sem mudanças no cenário.
E aí, Prefeitura? É multa!
Procurada pela Tribuna, a Prefeitura de Curitiba informou que já adotou medidas em relação ao terreno. De acordo com o município, a área é de propriedade privada e classificada como Área de Preservação Permanente (APP), o que impede a retirada da vegetação.
“A Secretaria Municipal do Urbanismo mantém processo de fiscalização em andamento, e o proprietário do terreno já foi notificado e multado, com determinação para realizar a limpeza da área de calçada e a retirada dos resíduos da área interna”, informou a Prefeitura em nota.
Ainda segundo o município, as secretarias envolvidas seguem atuando de forma integrada para o atendimento da situação.
*Nomes fictícios escolhidos para as moradores que optaram por não se identificar na reportagem.
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