A caminhada do Dia do Advogado, comemorado neste sábado (11), foi feita em homenagem à Tatiane Spitzner, advogada que morreu ao cair do quarto andar de um prédio em Guarapuava, região central do Paraná. O ato, que já estava marcado, lembrou a mulher, que segundo a polícia foi vítima de feminicídio. Além dos familiares dela, parentes de outras vítimas de crimes também se reuniram para prestar apoio e pedir paz.

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Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná.
Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná.

Com a concentração na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Paraná (OAB-PR), no bairro Ahú, a passeata seguiu até o Museu Oscar Niemeyer (MON), num trajeto de aproximadamente um quilômetro. Os organizadores pediram que, para lembrar Tatiane, os participantes estivessem todos usando roupas brancas que, unidas aos balões brancos, marcaram por onde a passeata passou.

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Apesar de tudo ainda ser muito recente, a família de Tatiane também acompanhou o ato. O pai, Jorge Waldemir Spitzner, disse que vai seguir em frente lutando por Justiça, mas também para impedir que o mesmo aconteça com outras mulheres. “Pra gente ainda é muito pesado, mas nós vamos seguir em frente. Transformei essa situação em uma causa minha, em prol da mulher também, não só da minha filha”, comentou.

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Definindo este sábado como um dia de união, Jorge comentou que tem acompanhado muito de perto as investigações sobre o crime. “Estamos acompanhando com muito afinco as investigações, que estão sendo feitas por pessoas muito competentes, promotoria e judiciário muito forte neste sentido. Agora eu mesmo, como advogado, também vou acompanhar como assistente de acusação, continuamos a luta”.

Família unida no ato em homenagem a advogada morta pelo marido. Foto: Átila Alberti / Tribuna do Paraná.

Luta continua

O presidente da OAB-PR, José Augusto Araújo de Noronha, explicou que a intenção do ato no dia do advogado é justamente mostrar que o problema existe e pedir que algo seja feito. “Nós queremos ajudar a sociedade a fazer a boa luta, saber onde não está funcionando esse atendimento à mulher, mostrar para as mulheres que elas não podem ter receio e que precisam sim denunciar”, destacou.

“Não queremos ter que fazer novos protestos, por novas vítimas de violência doméstica”, disse o presidente da OAB-PR. Foto: Átila Alberti / Tribuna do Paraná.
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Para o presidente da OAB-PR, o caso de Tatiane, assim como muitos outros que já foram registrados, não pode ficar impune. “Queremos evitar que outras mulheres paguem com a própria vida por ter o receio, o medo, de denunciar. Hoje nosso protesto é pela Tatiane, não queremos ter que fazer outro, por outras mulheres que são vítimas de violência doméstica por quem deveria ser o primeiro a defendê-las”.

Andamento das investigações

Nesta semana, a juíza Paola Gonçalves Mancini, da 2ª Vara Criminal de Guarapuava, aceitou a denúncia contra o professor e biólogo Luis Felipe Manvailer, acusado de matar a esposa, no último dia 22 de julho. Ele vai responder por homicídio, com quatro qualificações (impossibilidade de defesa, feminicídio, meio cruel e motivo torpe), cárcere privado e fraude.

Além disso, como explicou o pai da advogada, Jorge Waldemir Spitzner, que também é advogado, vai atuar como um dos assistentes de acusação do Ministério Público do Paraná (MP-PR), no processo da morte da filha. A denúncia afirma que o marido de Tatiane teve a intenção de matá-la ao agredir diversas vezes a advogada e depois jogá-la do 4º andar do prédio após tê-la asfixiado. Caso prevaleça esta tese, de homicídio doloso, Luis Felipe Manvailler deve ser julgado em um júri popular.

Marido foi filmado agredindo a esposa. Foto: Reprodução.

Relembre

No dia do crime, o biólogo afirmou que Tatiane teria se jogado, mas câmeras de segurança registraram vários momentos de agressão dele contra a advogada. Depois que a mulher caiu do quarto andar do prédio em que vivia, o rapaz teria inclusive retirado o corpo e levado novamente para dentro do apartamento antes de fugir de carro e ser preso pouco tempo depois.

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Vídeo mostra marido batendo em Tatiane Spitzner antes de sua morte