Sete anos se passaram e o Caso Tayná continua sem solução. Com o inquérito policial encerrado há dois anos, a família ainda aguarda que os verdadeiros culpados pelo crime sejam julgados.  Em 2013, horas após o desaparecimento da adolescente, quatro rapazes foram presos por policiais civis da Delegacia do Alto Maracanã. Um deles teria confessado com riqueza de detalhes como teria executado o crime contra a garota. Mas por que os culpados ainda estão soltos? Qual o motivo de não terem sido julgados? O que falta para que o caso seja encerrado?

A reportagem da Tribuna do Paraná foi atrás de respostas para essas perguntas. Entramos em contato com o advogado da família e com o delegado responsável pela Delegacia do Alto Maracanã na época. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) e a Polícia Civil (PCPR) também foram ouvidos, assim como procuramos uma das irmãs da Tayná que preferiu não se pronunciar e pediu respeito à dor da família.

A Polícia Civil afirmou que o inquérito policial está encerrado faz tempo e entende que os quatros suspeitos são os culpados, e que o MP-PR agora é o responsável pelo caso. “O Inquérito Policial (IP) foi concluído e encaminhado para o Ministério Público (MP) em maio de 2018, apontando que os quatro suspeitos seriam os autores. O MP solicitou novas diligências em outubro daquele ano. As diligências foram cumpridas e o IP encaminhado novamente ao MP em 30/04/2019. Desde então, nenhuma nova diligência foi solicitada à PCPR. O caso está com o MP. A PCPR entende que o caso já foi solucionado”.

O advogado da família, Dr. Luis Gustavo Janiszewski, não entende o porquê da demora por parte do MP e, segundo ele, este seria o grande ‘X’ da questão. Em entrevista à Tribuna, Janiszewski comentou que está aguardando o oferecimento da denúncia por parte da promotoria de Colombo, onde o inquérito está parado. De acordo com o advogado, a família teme que o caso esteja caindo no esquecimento.

“Esse é o grande X do Caso Tayná. O Ministério Público virou refém de uma versão colhida lá em 2013. Eles justificam que não há elementos suficientes para oferecer a denúncia e que as confissões foram obtidas à base de tortura, isso até o julgamento dos policiais. Nós temos a absolvição do delegado de polícia e de todos os policiais acusados de tortura. O problema que o Caso Tayná está começando a querer cair no esquecimento apesar de todo esforço que a gente faça”, explica o advogado.

O inquérito

Foto: Marco André Lima / Arquivo

Silvan Rodney Pereira, delegado da Delegacia do Alto Maracanã, foi o responsável pelas investigações na época do crime. Durante esta etapa ele acabou sendo acusado junto com outros policiais de ter torturado os suspeitos para que eles confessassem o crime. No entanto, tanto ele, quanto os demais policiais foram julgados e absolvidos das acusações.

Para ele, que atualmente aguarda uma realocação em delegacias pelo estado, a falta de ação do MP-PR é de causar indignação e dúvidas, uma vez que os policiais acusados de tortura foram absolvidos e o inquérito policial está encerrado. Rodney disse que a sensação é de impunidade e que o papel do Ministério Público é de denunciar os suspeitos para que sejam processados e respondam na justiça.

“Fiz meu trabalho com base na confissão dos acusados, eles confessaram o crime e eu os autuei em flagrante. Eu não os acusei, eles confessaram o crime. Se havia alguma dúvida de que eles teriam sido torturados, agora não tem mais, porque eu fui absolvido pela justiça. O papel do MP é denunciar para que eles sejam processados. Depois é o juiz quem decide se condena ou absolve”, explicou. “Houve um crime de homicídio contra uma menina. Vê-los em liberdade é uma sensação de impunidade”, lamenta.

Questionamos o MP sobre a demora no oferecimento da denúncia sobre os quatro rapazes. Em nota, a instituição afirmou que ainda existem diligências a serem cumpridas, sem, no entanto, explicar quais seriam. “O inquérito que apura os fatos relacionados ao caso encontra-se em tramitação no âmbito da 2ª Promotoria de Justiça de Colombo. Como existem diligências a serem concluídas, ainda não houve o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público do Paraná. O processo tramita sob sigilo.”

De acordo com o advogado Luiz Gustavo Janiszewski, a defesa da família acredita que todos os envolvidos na investigação e do Ministério Público deveriam ser afastados. A família diz acreditar na Justiça, mas não nas pessoas. “Todos tem que ser afastados. Afastar o Gaeco, escolher um novo promotor que não esteja contaminado com a versão anterior, afastar todos que tenham influência no caso. A família perdeu a força. Já temos os elementos jurídicos, temos provas concretas. Eu tenho esperança que vai sair esta denúncia. Não deixamos de acreditar na justiça, deixamos de acreditar nas pessoas que exercem esses cargos”, comenta.

O delegado Silvan lamentou que o caso continue sem solução e que a família foi a maior prejudicada, especialmente pelos suspeitos estarem soltos desde 2013. “Houve um sofrimento muito grande. O inquérito prova que os quatro rapazes são os autores do crime. Estão dando mais importância para o crime de estupro do que para a morte da garota. Ele confessou com riqueza de detalhes e a versão dele bateu com a perícia. A família foi prejudicada porque até hoje a justiça não deu uma resposta”, completou.

Relembre o caso

Tayná Adriane da Silva era uma garota cheia de sonhos, que acreditava que um dia seria famosa, mas que teve sua vida interrompida em 2013. Tayná estudava pela manhã e depois trabalhava como manicure em um salão próximo de sua residência no bairro São Dimas, em Colombo.

Terça- feira, 25 de junho daquele ano, ao sair da casa de uma amiga, Tayná chegou a enviar uma mensagem de texto para sua mãe dizendo que logo estaria em casa. Algum tempo depois, sem notícias, a família começou a procurar pela adolescente. O desaparecimento ocorreu por volta das 20h30 daquela noite. Câmeras de segurança flagraram a menina passando em frente a um parque de diversões recém-instalado na região. Poucos metros depois, a garota já não aparece em outra câmera de segurança mais à frente.

O parque ficava na Rua Presidente Farias, exatamente no trajeto percorrido pela menina para ir e vir do trabalho. Horas após e ainda sem notícias, e com boatos de que alguns funcionários do parque, volta e meia mexiam com as meninas que passavam por ali, populares atearam fogo e destruíram os brinquedos do parque.

Após três dias, Tayná foi encontrada morta, dentro de um poço em um terreno baldio próximo do parque de diversão. Quatro rapazes que trabalhavam eram os principais suspeitos.

Adriano Batista, 23 anos, Paulo Henrique Camargo Cunha, 25, Sérgio Amorim da Silva Filho, 22, e Ezequiel Batista, também de 22 anos, foram presos por investigadores da delegacia do Alto Maracanã. Adriano, Sérgio e Paulo confessaram o estupro da jovem. Paulo chegou a ser acusado por Adriano e Sérgio de ter asfixiado a menina, mas Paulo apontou Sérgio como o assassino. A Polícia ainda apreendeu duas armas falsas, uma pistola e um revólver, e a faca usada para ameaçar Tayná. Adriano, Paulo e Ezequiel não tinham passagens pela polícia.


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