Dados do Portal de Transparência da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) mostram que seis dos nove hospitais de Curitiba com leitos exclusivos para coronavírus da rede SUS estão com 100% de ocupação. Do total de 273 vagas de UTI em Curitiba, apenas 31 estavam livres – segundo o último relatório divulgado pelo governo do estado de quinta-feira (19).

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Apenas três hospitais ainda têm vagas na UTI, são eles o Hospital da Cruz Vermelha, Santa Casa e o Hospital de Reabilitação. São 31 vagas livres. Já entre os leitos de enfermaria SUS para covid-19, dois hospitais estão lotados: Trabalhador e Hospital de Clínicas.

Nos últimos dias, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) vem divulgando dados sobre a pandemia do coronavírus que preocupam. Nesta sexta-feira (20), a capital paranaense bateu o recorde de maior quantidade de casos diários e também de casos ativos da doença. De acordo com o boletim, 1.409 novos casos registrados e 9.131 casos ativos de coronavírus.

Diante do avanço da pandemia na cidade, a prefeitura suspendeu cirurgias eletivas (não urgentes), mas também autorizou a volta às aulas de crianças com menos de dez anos em escolas particulares. O comércio também continua aberto na capital. O ensino público presencial, estadual e municipal, no entanto, tende a retornar somente no ano que vem.

Greca justifica aumento de casos no descaso da população

O prefeito Rafael Greca e a secretária de saúde Márcia Huçulak conversaram com a imprensa na manhã desta sexta-feira (20) sobre o aumento dos casos de coronavírus na capital. Márcia Huçulak afirmou que a mudança de bandeira está sendo estudada e deve depender do recebimento dos dados desta sexta-feira (20).

Greca justificou o aumento dos casos no afrouxamento das medidas sanitárias pela população. “temos que usar máscaras, passar álcool, não promover eventos ou aglomerações. São longos os meses, compreendemos que jovens, igrejas, famílias, amigos querem se encontrar. Não podemos abrir a guarda”, comentou o prefeito durante a entrevista coletiva.

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Leitos de UTI volta a preocupar nas capitais do sul

No início da pandemia, as três capitais da região sul registraram relativo controla da pandemia, assim como Vitória, no Espírito Santo. Porém, nos últimos dias, a ocupação de leitos de UTI chega ou supera 80%, segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo.

No Sul, há excesso de pacientes graves com Covid-19 em todas as capitais. São 87,76% dos leitos de UTI ocupados em Florianópolis, 85,38%, em Porto Alegre, 85,39%, e 82%, em Curitiba.

Santa Catarina tem aumentado seus números de contaminados. No estado, a ocupação das UTIs, na terça, era de 75,66%, e Florianópolis está sob ‘risco gravíssimo’. Nos últimos feriadões, as cenas foram de praias lotadas, o que influenciou o surgimento de uma segunda onda de Covid-19 na cidade. A governadora interina, Daniela Reinehr (sem partido) recebeu diagnóstico de Covid-19 na última semana. Ela chegou a apagar das redes sociais uma mensagem em que pedia para a população usar máscara.

O Rio Grande do Sul tinha 74,9% das UTIs ocupadas. Na capital gaúcha, onde a ocupação era de 85,39%, há hospitais com ocupação total, como o Moinhos de Vento, segundo os dados da prefeitura.

Porto Alegre havia sido considerada região de ‘risco alto’, no mapa divulgado pelo governo gaúcho na última sexta-feira (13). Porém, após recurso do município, o governo considerou a capital gaúcha como ‘risco médio’, sem restringir serviços e atividades econômicas.

O prefeito da capital, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) anunciou na terça (17) que seu exame deu positivo para Covid-19. “Meus sintomas são leves e estou em casa, cumprindo isolamento. Aproveito para pedir novamente que os porto-alegrenses não descuidem dos protocolos e, se sentirem algum sintoma, que procurem nossa rede de saúde”, escreveu Marchezan em uma rede social.