Em discussão há anos, o plano de revitalização do trecho final da Avenida Manoel Ribas ainda não saiu do papel e depende de recursos para ser executado. Moradores e comerciantes ainda esperam pelo começo das obras mesmo depois de ouvirem, a cada início de ano, que os trabalhos serão realizados nos próximos meses.

Inicialmente a área que será revitalizada fica entre a Rua Neuraci Neves do Nascimento (no Cemitério de Santa Felicidade) até o Contorno Norte, mas a mobilização para que o trecho turístico da via ­ onde se concentram os tradicionais restaurantes italianos ­ também passe por melhorias é forte entre os empresários da região, que consideram a situação no local preocupante.

Suellen
Para Oswaldom, melhor iluminação
trará mais segurança para o bairro.

Os estudos para a revitalização do trecho final da avenida começaram em 2011. Com a mudança de prefeito, o projeto foi alterado e recebeu a inclusão de ciclofaixas além das pistas para veículos. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, depois de pronta, a proposta foi encaminhada para análise ao Paraná Cidade, órgão do governo do Estado responsável por definir o edital e encaminhá-lo à prefeitura, que licita e executa os trabalhos.

A execução, no entanto, ainda esbarra na falta de recursos. A obra foi orçada em R$ 19 milhões, mas o município de Curitiba possui o saldo de convênio com o Paraná Cidade de apenas R$ 6,5 milhões. Por causa disso, o órgão estadual não tem condições de dar encaminhamentos no processo e aguarda um posicionamento da prefeitura de Curitiba sobre como será viabilizada a diferença de R$ 12,5 milhões. Em nota, a prefeitura reconhece a situação e afirmou que o “assunto está sendo tratado internamente para buscar a melhor solução de onde virão os recursos para a continuidade do processo.”

Durante o ano, o projeto foi assunto na Câmara Municipal. Em setembro os vereadores pediram informações sobre o andamento da revitalização. No começo de novembro, uma nova solicitação partiu da Casa, quando o vereador Mauro Ignacio (PSB) questionou sobre o cronograma de trabalho, especialmente para que moradores e comerciantes se programem para enfrentar o período em obras.

Suellen Lima
Ivana está preocupada com a redução nas vagas de estacionamento.

Comerciantes divididos

A proposta divide especialmente quem trabalha na região. Mesmo trazendo melhorias para a avenida, alguns comerciantes temem perder clientes com falta de vagas de estacionamento, o que, de acordo com eles, aconteceu na Avenida Toaldo Túlio, que também passou por revitalização recente. Pensando nisso, a maioria participou das audiências públicas que discutiram o assunto, mas ainda sem saber o que de fato será realizado nem quando.

“Somos a favor da revitalização, mas a grande preocupação de todo mundo é a redução das vagas de estacionamento. Isso traz grandes problemas para os comerciantes de bairro”, avalia a empresária Ivana Cabral, 50, há 14 anos na Manoel Ribas. “Vai depender da sorte de ter um remanso bem na frente da loja. Já discutimos isso nas audiências”, informa ela, que torce para que as obras só comecem depois das festas de final do ano, para não prejudicar o movimento dos clientes.

O empresário Oswaldo Andreoli da Silva, 71, também acompanha há anos as discussões sobre o projeto e, para ele, ter a avenid,a revitalizada é motivo de expectativa. O principal benefício será mais movimento de pedestres e ciclistas, além de melhoria na iluminação. “Com melhor iluminação será ótimo, vai ficar bonito, a rua mais clara e com mais gente andando”, prevê. Consequentemente, acredita ele, o local ficará mais seguro. “Agora eu fecho às 19h, mas antes ficava até as 21h. Tudo isso por causa de assalto. Nos 26 anos que tenho a farmácia aqui já fui assaltado 18 vezes”, lamenta.

A secretaria de Obras destacou que, “de acordo com a legislação municipal (Código de Posturas), cabe ao proprietário de imóveis comerciais prover vagas para o atendimento de sua clientela. O poder público, por sua vez, prevê vagas junto às vias públicas, quando isso é possível.”

Suellen Lima
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