Os 29 municípios que compõem a Região Metropolitana de Curitiba esperam mais abertura no diálogo com a administração da cidade. É o que diz Luizão Goulart, prefeito de Pinhais e presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana (Assomec). Para ele, o grande desafio das gestões para os próximos quatro anos é desenvolver a integração entre as partes.

“Sempre existiu dificuldade de conversa entre os municípios da região metropolitana e Curitiba. Havia contatos, mas sempre tinha barreira nesse diálogo. Agora, com as novas administrações começando o trabalho, esperamos do prefeito Gustavo Fruet mais entrosamento. Temos assuntos como o lixo, transporte, meio ambiente e saúde que precisam ser discutidos em conjunto”, diz Goulart.

Transporte

Para o presidente da Assomec, a discussão que envolve a integração do transporte público entre região metropolitana e curitiba exige maior urgência. Segundo Goulart, o iminente aumento do valor da tarifa pode prejudicar os usuários que vivem nas cidades vizinhas a Curitiba. “Estamos preocupados com esse aumento, que pode desintegrar o sistema de transporte. Dizem que a RMC gera prejuízo às contas, mas essa conta é feita de maneira errada, porque se uma pessoa mora e pega ônibus em Pinhais rumo a Curitiba é incluída na conta da RMC. Mas, no retorno, essa mesma pessoa entra no cálculo de usuários de Curitiba. Essa conta não fecha”, observa.

Projeto traça prioridades e exige esforço coletivo

O superintendente da Secretaria de Assuntos Metropolitanos de Curitiba, Valfrido Eduardo Prado, confirma que faltava diálogo entre a prefeitura e os municípios limítrofes. “Podemos perceber nesse início de trabalho que não havia alinhamento entre as prefeituras. O nosso objetivo agora é tentar aglutinar as partes e tentar fazer um projeto em conjunto. Estamos levantando os dados dos municípios nas instituições como Coordenação da Região Metropolitana (Comec), Copel e Sanepar, para termos todas as informações necessárias e dar início ao projeto”, explica.

Prado também declarou que assuntos relacionados à saúde, transporte público e segurança pública são prioridades dentro da pasta. De acordo com o superintendente, estes temas também vão exigir esforço coletivo por parte das instituições. “Temos que alinhar os trabalhos para realizar o que planejamos. É preciso envolver todas as esferas para finalmente termos um projeto para Curitiba e região metropolitana”, afirma.

Políticas de segurança

Sobre o sistema de saúde de Curitiba, que recebe moradores metropolitanos devido à falta de estrutura nos municípios vizinhos, Luizão Goulart alega que a capital recebe mais verba do Ministério da Saúde justamente por esta situação. “Mas o fluxo ao contrário acontece também. Muita gente que mora em Curitiba vai ser atendida em postos de saúde da RMC. Mas, acredito que a entrada da capital no consórcio intermunicipal de saúde, prevista para este ano, pode ajudar a integrar o sistema de saúde entre as partes”, argumenta.

Em relação ao crescimento da criminalidade em Curitiba e região, Goulart acredita que é preciso estudo mais aprofundado sobre o tema e desenvolver políticas mais duradouras de segurança. “Hoje temos ações mais pontuais, como é o caso das Unidades Paraná Seguro (UPS), que têm seu valor, mas geram mais violência na região metropolitana porque tiraram o efetivo desses municípios. Não existe diálogo entre as partes e nem entre as cidades. É preciso somar mais os esforços”, alega.