O prefeito eleito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), protocolou nesta quinta-feira (1°.) um ofício junto à prefeitura de Curitiba e à Fundação Cultural de Curitiba (FCC) em que pede a suspensão realização da 35ª Oficina de Música da capital, marcada para o período de 7 a 29 de janeiro. Em um texto no Facebook, Greca reitera que o pedido e alega que não há recursos para a realização do evento nas datas estabelecidas.

A atual gestão da prefeitura contesta a mensagem e sustenta a informação divulgada no início do ano, de que a edição de 2017 da Oficina de Música já tem verba garantida. As inscrições para os cursos já foram encerradas e a expectativa é de que 1,8 mil pessoas compareçam às atividades planejadas.

“Depois de um mês de processo de transição, há (sic) um mês da minha posse, e há (sic) 40 dias do evento até agora a Prefeitura de Fruet não nos informou este provisionamento, nem qualquer outro dado sobre o quadro econômico da administração municipal”, escreveu Greca na rede social. Um texto encaminhado pela assessoria de imprensa de Greca diz que a nova gestão pretende realizar o evento, mas em “um período mais adequado, após ter atendido as prioridades do município com Saúde, Segurança e Educação”.

Um lei municipal de 2012, de autoria da vereadora Julieta Reis, determina que “a realização do evento ocorrerá anualmente, sendo feita, preferencialmente, no mês de janeiro”.

“Nossa futura gestão na Prefeitura será prioritariamente compromissada com a mitigação da dor, buscando a eficiente satisfação da Saúde Pública. Isto para que a Música possa harmonizar a vida saudável dos curitibanos e não seja apenas uma triste pavana, lamento de missão não cumprida”, acrescentou o prefeito no Facebook.

Verba garantida

De acordo com o Instituto Curitiba de Arte e Cultura (ICAC), organização social que executa algumas das políticas públicas traçadas pela administração do município na área de cultura, a realização da próxima edição da Oficina de Música tem uma verba garantida de R$1,7 milhão.

Hoje, o contrato com a prefeitura prevê um pagamento total de R$2,06 milhões para o festival (valor previsto na Lei de Orçamento Anual (LOA) e também no Plano Plurianual (PPA) de Curitiba), mas, este ano, a organização encolheu os gastos do festival.

Cerca de R$ 420 mil, segundo o ICAC, já foram repassados para a compra de passagens, alimentação e hospedagem dos professores que ministrarão os cursos. O restante, deverá ser pago a partir de janeiro, quando a prefeitura já estará sob administração de Rafael Greca.

Falta de informação

Marino Galvão Junior, diretor-presidente do instituto, afirma que, até o momento, nenhum responsável pela equipe de transição de Rafael Greca procurou a entidade para discutir as fontes de recurso previstas para a realização da oficina. “Dizer que não há previsão de recursos me parece uma falta de informação. Se o contrato for cumprido pela gestão dele [Greca], o recurso vai estar lá”.

“Não há por que a gente, nesse momento, criar algum tipo de instabilidade para com os professores e para com quem está vindo para as oficinais”, afirma Junior. Cerca de 30 professores estrangeiros participam desta edição desde ano da Oficina de Música. As inscrições também contemplam participantes da Lituânia, França e Holanda.

Apontado como um dos encontros de música mais importantes da América Latina, a Oficina de Música de Curitiba ocorre desde 1983.