A secretária da Saúde de Curitiba, Marcia Huçulak, fez um forte desabafo nesta segunda-feira (23). Incomodada com as pessoas forçando a prefeitura a uma mudança na bandeira que determina restrições a atividades considerada não essenciais na capital como forma de prevenção ao novo coronavírus, ela afirmou que o foco das pessoas está errado.

Enquanto muita gente está preocupada com uma questão técnica, milhares estão dando de ombros para o que mais importa: a responsabilidade individual de cada curitibano.

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Isso, no entanto, não eximirá a prefeitura de Curitiba de tomar as decisões que precisa tomar. Inclusive, a secretária já disse que está pronta para tomá-las. “Nós já temos um acumulado de informações para tomar medidas em alguns locais, mas as pessoas ficam se preocupando com a cor da bandeira. Elas têm que se preocupar com suas atitudes. Os setores precisam ajudar”, disse à Rádio BandNews.

Segundo ela, a definição técnica da mudança da bandeira amarela para a laranja é composta por nove itens, que não se trata de um achismo. “A secretária e o prefeito não simplesmente viram a chance e agora vira bandeira laranja. Mas as pessoas precisam entender que a pandemia vai longe. Vamos conviver com ela. Mas agora a gente sabe como funciona. Tivemos várias experiências em setembro e outubro, com tudo funcionando e os números abaixaram. Mas as pessoas relaxaram”.

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Marcia Huçulak reclama das aglomerações promovidas especialmente pelos jovens. “Não tem mais desconhecimento. Vocês viram no final de semana, no Largo (da Ordem) e no Shopping Hauer? O que é aquilo? Mais do que uma bandeira, as pessoas precisam parar e pensar o que querem como cidadãos. Esse é o momento da sociedade, do coletivo. Quantas pessoas esse jovem pode estar matando, porque transferem o vírus?”, desabafou.

De acordo com a secretária da Saúde, o órgão e a polícia chegaram a buscar pessoas contaminadas dentro de seus trabalhos após exame positivo. “Quantas pessoas vamos tirar de dentro do trabalho com a Policia sabendo que é covid positivo e continua trabalhando? No começo as pessoas não conheciam a doença, tínhamos que falar da máscara e do álcool em gel, mas agora, a menos que seja uma pessoa com alguma deficiência, não tem justificativa”