O acesso ao aterro sanitário da Caximba, em Curitiba, foi fechado ontem por um grupo de moradores da região, que estão indignados com a demora da desativação do local.

No início da manhã, os manifestantes impediram a entrada de caminhões de lixo, impossibilitando a descarga de resíduos. Com faixas e um caminhão de som, eles pediam que as autoridades e os órgãos ambientais assegurassem o selamento do aterro em julho e garantissem que o mesmo não será ampliado.

A Caximba recebe todo o lixo da capital e de outros 16 municípios da região metropolitana. “A vida útil do aterro da Caximba já acabou há bastante tempo. No projeto inicial, o lugar deveria receber 3 milhões e 300 mil toneladas de resíduos.

Porém, nestes 20 anos de funcionamento, já recebeu cerca de 16 milhões de toneladas. Isso vem colocando em risco a população que vive na região da Caximba e que sofre por causa do mau cheiro”, afirmou o presidente da organização não governamental Aliança para o Desenvolvimento Comunitário da Caximba, Jadir de Lima.

Segundo Lima, as pessoas que vivem perto do aterro não aceitam a ampliação do local e nem que uma nova central de tratamento de resíduos seja construída nas proximidades.

De acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), três áreas estão sendo licenciadas para a construção da central: uma em Curitiba (perto do aterro), outra em Fazenda Rio Grande e a última, em Mandirituba – este licenciamento, que é prévio, deve sair ainda esta semana, segundo o IAP.

Depois disso, a escolha da área ficará a cargo do Consórcio Intermunicipal para Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos, que reúne Curitiba e municípios da região metropolitana.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba, o consórcio está licitando a empresa que deverá cuidar da nova tecnologia de destinação do lixo em um dos três locais.

Porém, segundo a secretaria, não é possível precisar prazos para o final da licitação. “Não nos interessa para onde o aterro vai. Só não queremos que ele continue aqui (na Caximba). Já fizemos a nossa parte”, afirmou Jadir.

Vida útil pode ser estendida

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) estabeleceu um prazo aos grandes geradores (como supermercados, shopping centers e fábricas) para que enviem seus resíduos à Caximba somente até amanhã.

Conforme a secretaria, não existe uma quantidade máxima, medida em toneladas, que o aterro possa receber. O que há, conforme a secretaria, é uma cota técnica, que indica que o aterro poderá receber lixo até ficar com uma medida de 940 metros acima do nível do mar, o que estende sua vida útil para janeiro do ano que vem.

A licitação para a escolha da empresa que irá cuidar do lixo em uma das três cidades (Curitiba, Mandirituba ou Fazenda Rio Grande) está na fase da avaliação técnica, conforme informou a secretaria.

Ao todo, 15 empresas disputam a licitação. A próxima etapa será a de proposta de preços. Ainda segundo a secretaria, a nova tecnologia será uma indústria que vai reciclar e transformar em adubo e em material energético as cerca de 2.400 toneladas de lixo gerado diariamente.

O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vitor Hugo Burko, garantiu que o aterro sanitário não será ampliado, mas não confirmou que o lugar será selado em julho. Na tarde de ontem, ele recebeu os manifestantes em seu gabinete e explicou a eles os trâmites legais do licenciamento e da licitação.

“O aterro será fechado quando o volume máximo de resíduos previsto no licenciamento for atingido. Isso pode acontecer antes ou depois de julho”, afirmou.

Segundo Burk,o, Curitiba e Fazenda Rio Grande têm mais chances de receber a nova tecnologia que vai cuidar do lixo, uma vez que Mandirituba tem impedimentos legais para isso.