A promessa de uma obra definitiva, para acabar com o buraco da Rua Desembargador Westphalen, no Centro de Curitiba, ainda não se concretizou. Em março, o prefeito Rafael Grega havia postado em seu Facebook que o local merecia uma “intervenção dramática”, com obras na rua que iriam do Centro até o Parolim, próximo da Linha Verde (BR-376).

Passados nove meses, nem a licitação saiu do papel. Por outro lado, os transtornos causados por obras superficiais para corrigir o seguido estouro do asfalto recomeçam a cada nova chuvarada, como foi o caso deste fim de semana. Com isso, nesta segunda-feira (2), as máquinas da prefeitura trabalham na via e, por volta das 15h, apenas uma faixa da Westphalen estava liberada para os veículos cruzarem a esquina com a Avenida Visconde de Guarapuava, causando afunilamento no tráfego e trânsito lento.

Comerciantes seguem indignados

Com as obras, os motoristas que vêm pela Westphalen e desejam cruzar a Visconde de Guarapuava são obrigados a se amontar do lado esquerdo da via, pela única faixa que está liberada. Motoqueiros acabam sofrendo mais, pois são espremidos pelos veículos maiores. O aumento no risco de acidentes é nítido, pois a sinalização está quase em cima das obras. Por volta das 15h, da segunda, não havia agentes da Superintendência de Trânsito (Setran) orientando quem seguia por ali. O transtorno era perceptível até por quem estava mais longe do local, por causa das incessantes buzinadas dos motoristas.

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Robson Belo, 29 anos, gerente de um estacionamento na Westphalen, quase ao lado do local em obras, pede que a promessa de obras definitivas seja cumprida urgente. “O prefeito devia dar um jeito nisso o quanto antes. Não é só o buraco. Quando chove, isso aqui vira um rio. É difícil de atender os clientes, não dá para descer do carro, e os mais exigentes acabam passando reto pelo nosso estabelecimento”, reclamou Belo.

“Quando as obras para tapar o buraco recomeçam, ainda temos o transtorno dos clientes não enxergarem o nosso estabelecimento por causa das máquinas. Muita gente também passa reto. Fora o transtorno para os pedestres, o que também incomoda bastante”, diz o gerente.

Nesta segunda, o barulho das máquinas impedia até o diálogo do Sérgio Fenelon, 34 anos, com os clientes do seu salão de cabeleireiros. O barulho era alto, bem na porta do estabelecimento. “É só começar a época de chuva forte, dezembro, que é uma correria para gente trabalhar. É sempre a mesma coisa. Além do barulho, ter que falar mais alto com o cliente, hoje ainda tive que limpar o salão inteiro, tirar água e sujeira para poder atender os clientes. Não dá para ficar só nas promessas”, disse o proprietário.

“Não é possível que a prefeitura não tenha condições de resolver isso de maneira definitiva”. O salão funciona no mesmo local há dez anos. Segundo o Sérgio, a situação é sempre a mesma.

O dono de uma autoescola que fica na esquina da Westphalen com a Visconde, Felipe Aguilar Silva, 29 anos, não consegue entender a lógica da prefeitura em ficar, literalmente, tapando buraco. “Se colocar na ponta do lápis o que é gasto aqui todos os anos, uma galeria definitiva já poderia ter sido feita. Porque não é uma vez por ano que têm obras aqui. Olha, não sei precisar em números, mas, pelo menos, 20 vezes por ano as máquinas vêm pra cá”, aponta Aguilar.

Ainda segundo Silva, o transtorno atinge não só comerciantes, mas também motoristas e pedestres. Ele diz que até os trabalhadores sabem que vão fechar o buraco num dia sob o risco dele reabrir no dia seguinte.

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

O empresário entende que eles cumprem ordens, não há muito o quê fazer quando a isso. Por isso, todos pedem um projeto definitivo. “É um trecho importante para o fluxo de pessoas em Curitiba. Quando a Westphalen fica interditada, o tráfego se aglomera na região. E, quando fica tudo alagado, as pessoas não conseguem caminhar por aqui. A galeria estoura com a força da água, rompe o asfalto e jorra água feito um chafariz. No futuro, falhas nessa atual galeria podem afetar a segurança das construções do entorno. Não deveríamos conviver com esse risco. Fora o dinheiro público gasto a toa”, diz Silva.

O que diz a prefeitura

Procurada, a prefeitura de Curitiba informou que a equipe técnica do Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas fará o conserto do estrago provocado na galeria pluvial pela forte chuva deste fim de semana, o que já começou a ser feito nesta segunda-feira. Em seguida, também será recuperado o pavimento.

Sobre a promessa do prefeito de fazer obras definitivas na via, a prefeitura diz que está em andamento a preparação do processo licitatório para contratação do projeto que dará solução definitiva para o caso da Rua Desembargador Westphalen. De acordo com a prefeitura, “o projeto é para ampliar a capacidade de vazão das galerias em toda a extensão da via”.