Todo mundo que é mãe sabe que o puerpério (em uma explicação simplista, o período do pós-parto em que a mulher se recupera fiísica e psicologicamente do nascimento do bebê) é uma das fases mais difíceis da maternidade, principalmente para quem é mãe de primeira viagem. Foi pensando nisso que a artista plástica Lucia Misael decidiu criar um espaço destinado a esse público, a Casa Rudá, que será a primeira casa de acolhimento ao puerpério do Brasil e vai funcionar a partir do segundo semestre deste ano na Colônia Faria, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

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Com um modelo de negócio formado por um coletivo de profissionais como pediatras, psicólogos, psiquiatras, advogados, artistas, a Casa Rudá quer trazer à tona toda a complexidade que envolve a maternidade e o chamado puerpério. “É preciso acolher e apoiar as mães e suas famílias. Ou seja, estar onde tudo começa. Quanto todos os olhares se voltam para o bebê, é importante dar luz e cuidado à quem cuida”, explica Lucia. No mesmo local, funciona, desde 2002, a Associação Cultural IMAGINE que tem como missão valorizar a identidade histórico-cultural da comunidade que ali vive e integrar as pessoas através da arte e de ações educacionais e culturais.

A ideia partiu de uma reflexão a respeito de “quem cuida da recém-mãe”, que levou Lucia a perceber que as mulheres são pouco assistidas durante o puerpério, também chamado de resguardo ou quarentena. Nome dado àquela fase pós-parto em que a mulher experimenta um turbilhão de modificações físicas e psíquicas, o puerpério ainda é um assunto pouco falado, questionado e conhecido. “Costuma ser um período difícil que cada mulher enfrenta de uma forma diferente e, normalmente, sozinha. Dizem que dura cerca de 40 dias, mas se estudarmos mais a fundo pode ser bem mais longo. É o período de encontro com a própria sombra”, descreve Lucia.

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Pré-lançamento com autora de best-seller

Para apresentar a proposta em formato inédito no país da Casa Rudá, cujo calendário de eventos e atividades está em fase de finalização, Lúcia escolheu o mês das mães. O pré-lançamento da Casa Rudá acontece dia 25 de maio, num evento com a presença da renomada psicoterapeuta argentina Laura Gutman, autora do best-seller “A Maternidade e o encontro com a própria sombra”.

Em sua palestra, Laura vai falar sobre maternidade, puerpério e a relação entre pais e filhos. Os profissionais que vão atuar na Casa Rudá também estarão presentes para um dia de debate e muitas reflexões, no auditório da FAE. “Este evento vai marcar o início dos nossos trabalhos e foi a forma que encontramos para transferir alguns conceitos que serão usados na Casa Rudá. Queremos quebrar paradigmas e trabalhar o fortalecimento da mulher, construindo um novo conceito para as famílias”, conta Lucia.

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Detalhes de como surgiu a ideia

A iniciativa deia de lançar a Casa Rudá surgiu a partir de uma história pessoal por qual Lucia passou em 2016. Na segunda gravidez de sua filha Fernanda, Lucia foi convidada para participar ativamente de todo o processo até a hora do parto. Fernanda decidiu que queria ter um parto humanizado e chamou a mãe para ser sua doula. Lucia foi a fundo estudar o que era isso e descobriu que a função da doula é proteger a mãe na sua escolha.

Durante seus estudos, Lucia descobriu os livros e um curso online de Laura Gutman, referência mundial para quem quer entender melhor sobre o papel da mulher e mãe na contemporaneidade. Em conversa com a psicoterapeuta, ela revelou seu desejo de montar a Casa Rudá e assim surgiu o convite para a palestra do dia 25 de maio que será um ensaio para os trabalhos previstos para o segundo semestre.

“Depois de vivenciar o parto do meu neto entrei em conexão com tudo que aconteceu comigo quando me tornei mãe e até mesmo antes disso. Foi uma das situações mais lindas da sua vida. A partir daí achei que era hora de ajudar outras mulheres no período do puerpério que é tão desassistido atualmente”, conta Lucia.

De acordo com ela, a Casa Rudá será um local de acolhimento para dar assistência a mulher que fez cesariana, parto normal, com ou sem anestesia. “Sem preconceitos ou julgamentos, onde todos serão bem-vindos, inclusive os companheiros, filhos e outros familiares. Porque somente a partir deste cuidado primário conseguiremos criar uma geração mais amorosa”, completa Lucia.

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