Os 118 mm de chuva registrados em Curitiba na última quinta-feira (21) alagaram ruas, derrubaram árvores e causaram outros transtornos. Um deles já é velho conhecido: a água fez o asfalto “estufar” e ceder na Rua Desembargador Westphalen, próximo ao cruzamento com a Avenida Visconde de Guarapuava, no Centro da capital. “É um problema recorrente, acontece há pelo menos cinco anos, mas o asfalto nunca chegou a ceder tanto”, disse o diretor de uma autoescola localizada naquela esquina, Felipe Aguilar Gomes e Silva, logo após as chuvas.

De acordo com o diretor do Departamento de Pontes e Drenagens da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Augusto Meyer, o problema foi causado pelo aumento da pressão nas tubulações que passam nas galerias subterrâneas. “Essas tubulações são aquelas mais antigas de captação de águas pluviais e estão um tanto subdimensionadas para agora. Com a chuva torrencial, nós tivemos ali esse transbordamento e essa pressão, que fez com que o pavimento levantasse”, explica.

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Os serviços imediatos de reparo começaram a ser realizados na sexta-feira (22) e devem durar cerca de 15 dias. Eles consistem na abertura de “caixas” ou “pontos de extravasamento”, ou seja, novas bocas que permitam que a água vaze pela rua para aliviar a pressão da tubulação.

Até sexta ainda não se sabia quantas caixas seriam necessárias para evitar novas situações como a do dia anterior. Ainda assim, para o diretor do departamento, a ação vai minimizar consideravelmente o problema do asfalto. Por outro lado, Meyer não respondeu se a água extravasada da tubulação continuaria gerando problemas na superfície.

Além disso, ações constantes de limpeza e desobstrução das galerias devem contribuir para evitar que, além da água, as galerias fiquem cheias de lixo. Embora não haja um cronograma definido para essas ações, Meyer afirma que elas vêm sendo realizadas de forma contínua em toda a cidade e que as quantidades de lixo retiradas são significativas.

Solução definitiva

Uma solução definitiva, conforme Meyer, passaria por obras de macrodrenagem, as quais estão incluídas no plano municipal de saneamento apresentado pela prefeitura em 2018. “As águas dali são conduzidas para o Rio Juvevê e o Rio Belém. Nós estamos pleiteando recursos junto ao governo federal para fazer obras em toda a Bacia do Rio Belém”, afirma.

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O prefeito Rafael Greca deu declaração semelhante à RPC. “Não adianta eu fazer a galeria velha da Rua Des. Westphalen, se o Rio Belém continuar sendo o represador de todos os rios e galerias que nele desaguam”, disse. Conforme ele, os investimentos em ações para combater enchentes e alagamentos vai ficar em R$ 480 milhões – boa parte dos quais virá do governo federal.

Uma parte das obras previstas já está andamento, como o alargamento e desassoreamento dos rios Barigui, Juvevê e Pinheirinho. Outros projetos já foram aprovados junto à Caixa Econômica e aguardam a liberação de recursos. “Esperamos que tenhamos liberação desses recursos ainda para esse ano”, estima Meyer.

Apesar das propostas da prefeitura, especialistas apontam que a solução passa também por outros fatores, os quais também envolvem a iniciativa privada, como a presença reservatórios em construções prédios e residências, e o incentivo a telhados e paredes verdes.

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