Um dos três acusados de matar o aposentado Marcílio Agostinho Santana, 62 anos – que foi amarrado e queimado na quarta-feira (9), no bairro Tatuquara, e morreu dois dias depois no Hospital Evangélico – foi apresentado pela polícia nesta segunda-feira (14). Julio Cezar Gomes, o “Julião”, 33, foi preso pela Delegacia de Homicídios, em um barraco, também no Tatuquara, onde residiam a ex-mulher e os dois filhos dele.

A polícia já identificou os outros dois suspeitos. Um deles é um adolescente, de 14 anos, que está solto. Segundo a polícia, ele é viciado em drogas e conhecido por outros delitos. A outra acusada é a mulher de Julio, Marcilene Soares, 41, conhecida como “Colega”, que também é usuária de drogas. No dia seguinte ao crime, ela foi sequestrada, espancada e apedrejada por três dos sete filhos da vítima. Depois, foi abandonada em uma estrada vicinal em Antonina, no litoral. Gravemente ferida, Marcilene está internada no Hospital Regional de Paranaguá.

De acordo com os investigadores, Julio é catador de materiais recicláveis, não tem antecedentes criminais e só foi preso por não possuir residência fixa. Ele negou a participação no crime. “Posso ter problemas com a bebida, mas nunca fiz mal a ninguém, nem usei outras drogas”, declarou.

Testemunhas contaram que o suspeito teria ajudado Marcilene a derrubar o aposentado e amarrar seus braços a um tronco de árvore. A mulher teria dado uma gravata e, em seguida, ateado fogo na vítima. “Pelo que foi relatado nos depoimentos, a filha de Marcilene, de apenas seis anos, viu a mãe pôr fogo na vítima e ficou perguntando por que ela fez isso”, revelou o delegado-adjunto Cristiano Quintas.

O motivo do crime seria dinheiro. De acordo com o delegado-titular, Rubens Recalcatti, o aposentado era viciado em diversas drogas, dentre elas o crack. “Ele costumava pedir ao adolescente envolvido e para outras pessoas que comprassem droga para ele e, muitas vezes, acabava dando algum dinheiro. Na quarta, diante da recusa, os criminosos atearam fogo na vítima”, explica.

Sequestro

Três dos sete filhos da vítima confessaram o envolvimento no sequestro e na tentativa de homicídio contra Marcilene. Marcílio Agostinho Santana Júnior, 23, Douglas Cunha Pontes, 29, e Marcele Cunha Pontes de Moura, 25, pegaram Marcilene na quinta-feira e a levaram para o litoral. Após espancarem e apedrejarem a mulher, os irmãos pensaram que ela já estivesse morta, e largaram o corpo em uma estrada de Antonina.

Uma pessoa encontrou Marcilene e a levou para o hospital do município. Segundo a polícia, em função de um traumatismo craniano, ela foi transferida para o Hospital Regional de Paranaguá na segunda-feira. “O estado dela é grave, tanto que só conseguimos que ela confirmasse o nome”, explicou o delegado Cristiano. Tão logo a acusada se recupere, deverá ser realizada uma acareação entre os suspeitos.

Os filhos do aposentado vão responder por sequestro e tentativa de homicídio mas, por enquanto, estão em liberdade. Segundo a polícia, mesmo com o corpo em chamas, o aposentado conseguiu caminhar até sua casa. Ao chegar, toda a família testemunhou o sofrimento de Marcílio. “Em todo o bairro ele era muito querido, apesar do vício”, atestou Recalcatti.