Com a chegada de dezembro, uma pergunta fica no ar: teremos Papai Noel este ano de pandemia? A crise econômica provocada pelo novo coronavírus atingiu não só as famílias como também o mercado natalino. Tanto que a previsão é de que muito Papai Noel vai acabar deixando a tradicional roupa vermelha dentro do guarda-roupa.

De acordo com informações da agência Papai Noel em Curitiba, especializada na contratação de velhinhos de barba branca em época de Natal, houve redução na procura neste ano. Segundo a agência, a queda é de aproximadamente 40% no número de contratações de bons velhinhos em relação ao ano passado. 

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Apesar da queda no mercado de Papai Noel, ainda há público. Alguns shoppings da capital paranaense têm investido na presença física do bom velhinho, com proteção redobrada contra o coronavírus, já por serem idosos são todos do grupo de risco. No Shopping Palladium, o personagem natalino fica atrás de uma proteção de acrílico, que é frequentemente higienizada. Não há contato físico com as crianças.

Já no Shopping Estação, a presença do Papai Noel será virtual e com direito a papo por videochamada e leitura de cartinhas. A versão tecnológica também deverá ser seguida por outras empresas. 

Papai Noel não terá contato físico com as crianças em 2020, no Shopping Palladium, em Curitiba. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Aposta na videochamada

Orlando Salvaro, de 78 anos, atua há mais de 20 anos como Papai Noel. Neste ano, a estratégia é manter poucos contratos físicos e oferecer conversas de videochamada para garantir a renda nesta época do ano. “Eu nunca trabalhei em shopping, mas soube que poucos vão contratar esse ano porque tem muito risco. Pra mim, que faço propaganda e eventos, estou conseguindo fechar alguns contratos”, revela. 

Nas visitas presenciais, o Papai Noel Orlando tem cumprido as normas de segurança sanitária à risca, com uso de álcool gel, distanciamento e máscara de proteção – que só é tirada na hora da foto. Esse ano, a equipe do Papai Noel Orlando está apostando numa nova forma de visita: a virtual. 

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“Eu acho que a gente vai vender muito as videochamadas, o que é bom porque a criança fica no conforto de casa. Só não vai ganhar o presente das mãos do Papai Noel, não vai poder tirar foto”, revela.

Na gravação das propagandas e comerciais, seu Orlando revela que os cuidados sanitários continuam. “Todo mundo mascarado, álcool gel, sem aglomeração. Eu fiz algumas e tenho outras pra fazer. Às vezes, quando tem que viajar, fica mais difícil. Então, quando tem trabalho fora, a gente acaba cancelando”, conta o velhinho.

“Temos que respeitar o vírus”

Com 91 anos de idade, Gino Palma já foi personagem de matéria da Tribuna no Natal de 2019, por ser um dos Papais Noeis mais velhos do Brasil. O título não tem como ser confirmado, mas do Bom Velhinho ele bem entende – atua com a roupa vermelha há mais de 35 anos.

Gino Palma vai atuar só na cidade em que mora esse ano por causa da pandemia. Foto: André Rodrigues / Tribuna do Paraná / Arquivo

Morador de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, Gino vai vestir a roupa vermelha esse ano, mas com muita cautela. Por causa da pandemia do novo coronavírus, ele vai evitar se aproximar das crianças, sem beijos nem abraços. “Eu tenho muito medo. E todos temos que ter medo. Temos que respeitar esse vírus porque ele não escolhe ninguém. Por isso tem que ter muita cautela”, afirma seu Gino.

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Highlander dos papais noéis, como se declara em seu cartão de apresentação, Gino Palma, quejá viahou o Brasil inteiro no Natal, pretende trabalhar esse ano somente em Fazenda Rio Grande – o que fez reduzir pela metade a quantidade de trabalho em relação ao ano passado. “Nessa mesma época no ano passado, eu já tinha a minha agenda lotada de contratos. Trabalhei bastante em 2019 mas agora não estou indo mais viajar. Ano passado foi shopping, supermercado, prefeitura, tive muitos compromissos. Agora, por causa da pandemia, tem que ter muita cautela”, conta.