Investimento

Onde Curitiba vai investir R$ 15 bilhões em 2027? Veja as prioridades

Asfalto é desejo da população. Foto: Levy Ferreira/SECOM

O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de Curitiba para 2027 começa a ser votado pela Câmara Municipal na terça-feira (23). A proposta prevê receitas e despesas brutas de R$ 16,393 bilhões para o próximo exercício, com orçamento líquido estimado em R$ 15,502 bilhões. Além do texto, os vereadores também analisarão seis emendas admitidas pela Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização. 

A LDO estabelece as prioridades da administração municipal para o ano seguinte e serve de base para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA). Em Curitiba, essas prioridades são definidas a partir da combinação entre o planejamento estratégico da Prefeitura e consultas públicas realizadas junto à população. 

Neste ano, a consulta popular ocorreu entre 2 e 31 de março. Entre as áreas apontadas pelos moradores como prioritárias para receber investimentos em 2027, pavimentação e iluminação lideraram com 16% das indicações.

Em seguida aparecem meio ambiente e limpeza pública, com 12%, e saúde, com 9%. O turismo registrou o menor índice de prioridade, com apenas 0,24% das respostas.

Só uma regional apontou educação como prioridade

As prioridades variaram entre as administrações regionais da cidade. Nas regionais Santa Felicidade e Boqueirão, a principal demanda apresentada foi pavimentação. Já nas regionais Boa Vista, Portão, CIC e Matriz, os moradores destacaram a limpeza pública como a área mais urgente.

Além da limpeza, a Regional Matriz foi a única a incluir a assistência social entre as três principais prioridades. O resultado reflete uma realidade já identificada em levantamentos do Cadastro Único (CadÚnico), que apontam a região central como a área com maior concentração de pessoas em situação de rua na capital.

Outra exceção aconteceu na Regional Cajuru. Entre todas as regionais de Curitiba, ela foi a única a apontar a educação como principal prioridade de investimento. A área recebeu 740 indicações, superando com ampla margem a segunda colocada. A habitação também apareceu entre as três demandas mais votadas, situação que não se repetiu em nenhuma outra região da cidade.

Inter 2 e novo BRT estão entre os destaques

Nas audiências públicas realizadas pela Prefeitura, o eixo de mobilidade urbana concentrou alguns dos principais investimentos previstos para 2027. Entre os projetos contemplados estão a complementação da Linha Verde Norte e Sul, a ampliação da Linha Inter 2, a expansão do corredor BRT Leste-Oeste e a continuidade do programa de eletromobilidade, com aquisição de ônibus elétricos e implantação de novos eletropostos públicos de recarga.

Na área de infraestrutura urbana e habitação, a proposta inclui cinco projetos voltados à construção, urbanização e regularização fundiária, além da ampliação do programa de pavimentação alternativa. Também estão previstos dez projetos de drenagem, 20 km de novas calçadas e ciclovias, além de ações permanentes de manutenção, como tapa-buracos e recapeamento.

Na educação, a Prefeitura projeta a construção de oito novos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), a instalação de 13 quadras cobertas e a realização de 16 reformas em escolas municipais. 

Já na área ambiental, a previsão contempla a implantação ou revitalização de 13 parques e bosques, a criação de um novo ecoponto e a execução de um projeto voltado à geração de energia renovável. Na saúde, o planejamento inclui 14 reformas e seis novas unidades.

Saúde concentra a maior fatia do orçamento

A maior parte das receitas previstas para 2027 deverá vir da arrecadação própria do município, responsável por 59% do total. As transferências da União representam 16% da receita estimada, enquanto os repasses do Governo do Estado correspondem a 12%.

Entre as despesas, a saúde lidera a distribuição dos recursos, concentrando 22,7% do orçamento. Em seguida aparecem educação (19,7%), previdência social (15,8%) e urbanismo (14,4%). Os investimentos previstos somam R$ 1,69 bilhão, o equivalente a 10,47% do orçamento municipal. 

O texto da LDO também estima R$ 645,9 milhões em renúncias de receita e projeta riscos fiscais de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, relacionados principalmente a demandas judiciais e aos subsídios destinados ao sistema de transporte coletivo.

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