Movimento estudantil

Invasão de estudantes ao prédio do DCE da UFPR em Curitiba completa uma semana

A reitoria da UFPR, em Curitiba.
A reitoria da UFPR, em Curitiba. Foto: Marcos Solivan

A invasão ao prédio do DCE da Universidade Federal do Paraná completa uma semana nesta quinta-feira (21). Estudantes estão no edifício ao lado da reitoria e acima do restaurante universitário, desde o dia 14, após reunião realizada no dia anterior entre estudantes; o reitor, Marcos Sunye; e a vice-reitora, Camila Fachin. O prédio está desocupado há cerca de seis anos.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o DCE informa que Sunye e Camila não compareceram à reunião que teria sido convocada pela reitoria para a noite desta quarta-feira (20). A equipe Pró-Reitoria de Planejamento e Dados (Proplad) compareceu ao local, mas segundo os estudantes, não teria se comprometido com as reinvindicações. Ainda não há outro encontro agendado entre as partes.

Já a UFPR afirma que, junto com a Proplad, participaram da reunião a chefia de gabinete da Reitoria e a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec), além da equipe do Plano Diretor, unidades que compõem a alta gestão universitária. E que a carta de reivindicações dos estudantes foi recebida.

Reivindicações

Na carta de reivindicações do DCE, os estudantes pedem a reforma do prédio do DCE, o acesso ao local e participação no acompanhamento das obras de reparo até a conclusão, manutenção dos espaços físicos dos centros acadêmicos e a retomada de projetos como o restaurante universitário (RU) do Setor Rebouças — projeto este que, segundo o DCE, já estaria pago pela instituição de ensino — e rigor na apuração de denúncias de violência de gênero que, informam, já estão com a ouvidoria da UFPR.

Sobre os centros acadêmicos, a universidade diz não haver determinação de despejo. Segundo a instituição, a gestão dos espaços dos CAs é de responsabilidade das direções dos setores, enquanto a gestão atua, sob demanda, na ampliação e criação de novos espaços de convivência e permanência estudantil.

A carta inclui ainda pedidos de melhoria na iluminação do Campus Politécnico e no Setor de Educação Profissional e Tecnológica (Sept), ambos no Jardim das Américas, a criação de espaços de acolhimento para vítimas de assédio na universidade, a não punição aos estudantes envolvidos na invasão e o reconhecimento do movimento estudantil como legítimo, a prioridade no investimento de recursos para uma nova moradia estudantil em Curitiba, a expansão da Maloca, a moradia estudantil indígena para os campi de Matinhos e Toledo, entre outras reivindicações.

Problemas estruturais e de segurança

Em nota divulgada no início da invasão, a reitoria da UFPR informou que “o prédio do DCE apresenta sérios problemas estruturais e de segurança, identificados em vistorias técnicas realizadas desde 2013 e refeitas em 2025 e 2026″. O comunicado enumera os principais problemas da edificação: infiltrações, rachaduras, risco elétrico, falhas hidráulicas, elevadores sem funcionamento, falta de acessibilidade e irregularidades nos sistemas de prevenção de incêndio.

A universidade afirma também já ter dado início às obras de recuperação do espaço,  que inclui o DCE, a CEUC, o Restaurante Universitário e a Biblioteca Central. E que os próximos passos incluem reparos estruturais, elétricos, hidráulicos e de segurança. 

“A UFPR reforça que está trabalhando para recuperar o espaço com segurança para a comunidade universitária. Diante da gravidade dos laudos técnicos e da proibição expressa pelo Corpo de Bombeiros, a permanência ou utilização do edifício é tecnicamente não recomendada”, conclui a nota.

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