A Câmara Municipal de Curitiba anunciou nesta sexta-feira (19) o projeto vencedor do concurso nacional de arquitetura que vai orientar a implantação da nova Câmara de Curitiba. A proposta escolhida foi desenvolvida pelo escritório curitibano Austral Studio, liderado pelo arquiteto e urbanista Henrique Zulian, e servirá de base para as próximas etapas de desenvolvimento do futuro complexo legislativo da capital.

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O resultado foi divulgado em cerimônia realizada no Palácio Rio Branco, encerrando uma disputa que reuniu profissionais de diferentes regiões do país.

Ao anunciar o vencedor, o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, Tico Kuzma (PSD), afirmou que a escolha vai além da definição de um projeto arquitetônico. “Hoje, nós estamos escolhendo uma visão de futuro. Nós estamos escolhendo uma proposta para como a Câmara Municipal de Curitiba deve se relacionar com a cidade nas próximas décadas”, declarou.

Kuzma também defendeu que a futura estrutura seja vista como um investimento na participação popular e na transparência do Poder Legislativo. Segundo ele, as limitações físicas do atual prédio dificultam a realização de atividades e eventos com maior participação da população.

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“Essa nova sede não pode ser vista apenas como uma obra, mas deve ser vista como um investimento na democracia, um investimento na transparência, um investimento na participação cidadã”, afirmou.

Representando a equipe vencedora, Henrique Zulian explicou que o projeto busca aproximar a Câmara Municipal dos cidadãos e ampliar a conexão entre o edifício e os espaços públicos do entorno. “Uma das premissas principais foi devolver os espaços ao público e para a população, diminuindo as barreiras entre a edificação e o espaço público”, afirmou.

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O arquiteto destacou ainda que a proposta foi desenvolvida a partir da valorização do patrimônio histórico existente na região central, especialmente do Palácio Rio Branco, combinando preservação arquitetônica com soluções contemporâneas voltadas à sustentabilidade, à acessibilidade e ao uso coletivo dos espaços.

A seleção teve início com 46 inscrições. Após a etapa de habilitação, 32 equipes apresentaram estudos preliminares e seguiram para a análise técnica. Em maio, a comissão julgadora definiu cinco finalistas e concedeu três menções honrosas. Conforme previsto no regulamento, a identidade dos participantes permaneceu em sigilo durante todo o processo de avaliação.

O anonimato das propostas teve como objetivo assegurar uma análise exclusivamente técnica dos trabalhos. Com isso, os jurados puderam concentrar a avaliação na qualidade das soluções apresentadas para um desafio considerado complexo: criar um conjunto arquitetônico capaz de dialogar com o patrimônio histórico existente e, ao mesmo tempo, atender às demandas futuras do legislativo curitibano.

Nova Câmara de Curitiba deverá unir memória histórica e necessidades futuras

A escolha da proposta levou em conta uma série de critérios técnicos e urbanísticos definidos no edital, que buscavam equilibrar preservação patrimonial, funcionalidade e integração com a região central da cidade.

Entre os aspectos analisados pela comissão julgadora estiveram a relação do empreendimento com o entorno urbano, a qualidade dos espaços propostos, as soluções de acessibilidade e sustentabilidade, além da viabilidade técnica e financeira para execução do projeto.

A área destinada ao empreendimento fica no entorno do Palácio Rio Branco e da Praça Eufrásio Correia, região marcada por edificações históricas e intensa circulação de pessoas. O projeto prevê a restauração e adaptação do atual prédio da Câmara, bem como a construção de novos espaços para abrigar plenário, gabinetes, áreas administrativas e setores de atendimento ao público.

O edital estabelece que o Palácio Rio Branco, tombado pelo patrimônio estadual, deverá receber novos usos voltados principalmente a atividades coletivas e culturais. Já os anexos poderão alcançar até 20 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em edificações de até 20 pavimentos.

Veja vídeo de como ficará o novo prédio da Câmara:

A expectativa é reunir em uma estrutura mais moderna os setores legislativos e administrativos hoje distribuídos em diferentes espaços utilizados pelos vereadores. A proposta também busca ampliar a integração entre a Câmara Municipal e a cidade, tornando o complexo mais acessível à população.

Vitória no concurso é apenas a primeira etapa do empreendimento

Apesar da definição do vencedor marcar um avanço importante para a nova Câmara de Curitiba, o anúncio não significa que as obras começarão nos próximos meses. A competição teve como finalidade selecionar um anteprojeto arquitetônico, ou seja, uma proposta conceitual que servirá de base para o detalhamento técnico necessário antes da execução do empreendimento.

Conforme as regras do concurso, a equipe vencedora poderá ser contratada para desenvolver as etapas seguintes do projeto, incluindo estudos complementares, projeto básico e projeto executivo. Somente depois da conclusão desses trabalhos e dos procedimentos administrativos exigidos será possível iniciar uma futura licitação para a construção.

A premiação total foi de R$ 200 mil, dividida entre os cinco projetos melhor classificados. Cada uma das propostas premiadas receberá R$ 40 mil. O edital também estabelece que a futura obra deverá respeitar um teto de investimento de R$ 91,5 milhões, sem considerar equipamentos e mobiliário. O prazo máximo previsto para execução é de 30 meses após a contratação dos serviços.

Uma das premissas da proposta vencedora é valorizar o patrimônio histórico existente e ampliar sua integração com os novos espaços do Legislativo. Foto: Austral Studio.