Há 51 anos, Curitiba vivia uma das cenas mais memoráveis de sua história: a segunda grande nevasca registrada na capital. Na madrugada de 17 de julho de 1975, os termômetros chegaram perto de -6 ºC, e a neve caiu durante boa parte do dia. No dia seguinte, 18 de julho, a Tribuna do Paraná estampou na capa registros do fenômeno sob a manchete “Neve aquece Curitiba”.
Na véspera, uma intensa frente fria trouxe chuva para a cidade. Quando a temperatura despencou durante a passagem do sistema, a precipitação passou do estado líquido para o sólido. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a neve só ocorre quando há uma combinação muito específica de fatores: ar extremamente frio, com temperaturas próximas ou abaixo de 0 ºC, e umidade suficiente na atmosfera para formar a precipitação.
Em Curitiba, os primeiros flocos começaram a cair por volta do meio-dia. A neve também foi registrada em diversas regiões do Paraná. Em Foz do Iguaçu, por exemplo, o fenômeno ocorreu durante a tarde, com temperatura próxima de -3 ºC. Até hoje, esse continua sendo o único registro oficial de neve na cidade do Oeste paranaense.
A nevasca de 1975, porém, não foi a primeira da capital. Em 31 de julho de 1928, Curitiba registrou sua primeira ocorrência documentada de neve. O fenômeno começou durante a noite e continuou até a madrugada de 1º de agosto. Relatos da época descrevem acúmulo de neve e gelo em diversos pontos da cidade.
O episódio mais recente ocorreu em 23 de julho de 2013, quando uma nova massa de ar polar provocou a queda de neve em Curitiba e em dezenas de municípios do Sul do Brasil. Embora menos intensa que a registrada em 1975, a precipitação foi suficiente para reunir moradores nas ruas e renovar o álbum de fotografias da cidade.
Em 2020, moradores do bairro Tatuquara e da Região Metropolitana também relataram precipitação invernal localizada, mas o episódio teve alcance bastante restrito.
Pode nevar novamente?
Apesar de carregar o título de capital mais fria do Brasil, as chances de Curitiba voltar a registrar uma nevasca como a de 1975 são muito pequenas. Para que a neve se forme, é preciso que uma massa de ar polar muito intensa coincida com a passagem de uma frente fria ainda carregada de umidade. Na maioria das vezes, quando o frio mais intenso chega ao Paraná, a chuva já cessou. Quando ainda chove, as temperaturas normalmente não são baixas o suficiente para transformar a água em neve.
Além disso, Curitiba está em uma altitude inferior à de municípios que costumam registrar o fenômeno com maior frequência, como Palmas e General Carneiro. Nessas cidades, a maior altitude favorece temperaturas abaixo de zero justamente durante a passagem das frentes frias.
Para este inverno, o cenário também não favorece novos episódios. Segundo as previsões climáticas, a atuação do El Niño tende a manter temperaturas acima da média e aumentar os volumes de chuva no Sul do Brasil. O fenômeno intensifica o transporte de calor e umidade da Amazônia para a região, tornando menos provável a combinação de frio extremo e umidade necessária para a formação de neve.
