Violência

Moradores do Uberaba estão mais tranquilos

Quem passa pelas ruas enlameadas da invasão Icaraí, Uberaba, onde oito pessoas foram assassinadas no sábado, percebe que a necessidade dos moradores vai além da segurança. A pobreza está em cada barraco, iluminado com os “gatos”, puxados de postes de iluminação pública, mas, aparentemente, tudo volta ao normal.

Na tarde de ontem, as pessoas seguiam suas rotinas, também nas vilas União e Audi, que integram o linhão da pobreza. Era possível ver as crianças indo e vindo das escolas, o comércio aberto e os moradores conversando na frente das casas.

Segundo Vera Lúcia, moradora da Avenida Central -considerada pela polícia a mais temida da região – o policiamento intensivo, determinado depois da chacina, inibiu a criminalidade. “A gente tá acostumado a ouvir tiros todas as noites. Mas essas últimas foram bem tranquilas. Esperamos que continue assim”, disse a mulher.

Estranho

Quanto ao suposto toque de recolher, Vera disse que ficou sabendo dele por outras pessoas, mas ninguém deu o recado diretamente a ela. “Não tem como saber se é verdade ou não”, contou.

O reciclador João Carlos Bueno, morador na mesma rua, disse que soube da chacina pelo rádio, mas o que mais chamou a atenção foi a polícia circulando na invasão com mais frequência.

“Fiquei assustado quando vi um monte de viatura. Depois que fui saber o que tinha acontecido. Aqui todo mundo se conhece e sabe quem é bandido e quem é trabalhador.”

Ele acha que os autores da chacina estão longe da vila. “Se ficassem aqui, além do risco de serem presos, poderiam ser assassinados pelos familiares das pessoas que foram mortas.”

A um passo do desfecho

Na Delegacia de Homicídios a informação é que em breve o caso será resolvido. O delegado Hamilton da Paz disse que várias pessoas já foram detidas e que está a um passo de completar a investigação. “Só podemos dar a informação completa quando finalizarmos o caso. Antes disso, qualquer informação pode atrapalhar as investigações”, explicou.

Quanto ao toque de recolher, o delegado acredita que seja “lenda urbana”, que deixa o povo com medo de um perigo que não existe. “Essa história de um carro de som dando o recado para o povo é invenção. A vila esta cercada de policiais dispostos a garantir a segurança, pelo menos até a tranquilidade ser restabelecida”, garantiu.

Cajuru

No Cajuru, especialmente na Vila Trindade, moradores disseram ter recebido aviso para não sair à noite, pois haveria um arrastão. Essa informação tem sido recebida diariamente por policiais militares do 20.º Batalhão.

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