Reunião feita nesta segunda-feira (16) definiu a retirada do acampamento dos manifestantes pró-Lula dos arredores da sede da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, onde o ex-presidente petista está detido desde o dia 7 de abril. Pelo que diz o acordo, assinado inclusive por representantes do Partido dos Trabalhadores (PT), o acampamento será levado para o parque do Atuba, a aproximadamente 3 km do ponto de onde a vigília está hoje. No entanto, fica mantida a possibilidade de concentração dos militantes no mesmo ponto – entre as Ruas Barreto Coutinho e Guilherme Matter –, das 8h às 21h todos os dias, sendo o uso de som permitido até 19h30.

As informações foram confirmadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e também pelo Ministério Público do Paraná, que intermediou a reunião. Montado no dia 8 de abril, um dia após a chegada de Lula à sede da PF em Curitiba, o acampamento já havia sido alvo de um pedido de transferência feito pela prefeitura da capital. A alegação foi o fato de a prisão de Lula gerar transtornos aos moradores da região e a funcionários do órgão.

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Com o acordo assinado hoje,o prazo final para que todas as barracas sejam desmontadas e levadas para o parque é às 18h desta terça-feira (17). Conforme a prefeitura, o acesso ao parque continuará normal.

O documento define que na área onde o acampamento foi originalmente montado poderão ser mantidas apenas quatro tendas para “assegurar a estrutura necessária à liberdade de manifestação”, mas sem qualquer pernoite no espaço. O acordo traz ainda que o uso de equipamentos de som será permitido até as 19h30, e que eventos como shows e apresentação de artistas e políticos dependerão de definição prévia com autoridades municipais.

Com isso, ainda ficam temporariamente suspensos o interdito proibitório da prefeitura de Curitiba que impedia a montagem de estruturas de acampamento em parques e praças da cidade e a ação em resultou na aplicação de multa em R$ 500 mil em caso de desobediência da decisão judicial do interdito.

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De acordo com o MP, as tratativas do documento foram definidas em comum acordo. “Foi uma solução que agradou a todos”, explicou Procurador-Geral de Justiça do MP-PR Olympio de Sá Sotto Maior Neto. Segundo ele, o caminho encontrado agradou a todos. “Garantiu-se de um lado o livre direito de manifestação das pessoas e de outro lado foi possível garantir a tranquilidade de moradores que estavam reclamando no sentido de serem perturbados”, acrescentou, referindo-se às queixas relatadas por quem tem casa nas imediações do acampamento.

Além dos transtornos para acessar suas residências, muitos moradores também passaram a reclamar de barulho durante a madrugada, dos vendedores ambulantes que se acumularam na região e até mesmo de manifestantes que faziam as necessidades nas ruas.

O Partidos dos Trabalhados informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que deve em breve se manifestar sobre o acordo. Na reunião desta manhã, o partido foi representado pelo presidente do PT no Paraná, Dr. Rosinha, e pelo deputado federal Angelo Vanhoni.

Isolamento

Até as 17h desta segunda, a Secretaria de Estado da Segurança Pública não informou se, com a mudança do acampamento das imediações da PF para o parque do Atuba, os bloqueios feitos pela Polícia Militar serão mantidos. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Sesp se limitou a dizer que a manutenção das barreiras policias “vai depender da necessidade”.

Desde que o acampamento foi montado, o esquema de segurança continuava em reforço na região, com equipes de PMs bloqueando os principais acessos à sede da superintendência — inclusive para quem precisava utilizar os serviços oferecidos pelo órgão, como a confecção de passaporte, por exemplo.

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