Mais de 30 dias se passaram desde a data prevista para reajuste salarial dos motoristas e cobradores de
ônibus em Curitiba e região metropolitana, mas os funcionários continuam “no escuro” em relação aos seus direitos. A data-base da categoria é 1º de fevereiro, mas empresas e classe trabalhadora ainda não entraram em acordo, e o impasse continua. Por isso, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) convocou os envolvidos para uma nova reunião amanhã (8), a fim de buscar acordo.

No dia 25 de janeiro deste ano,o Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) solicitou aumento de 15%, além de mudanças no auxílio-alimentação e multa para os atrasos salariais. No dia 16 de fevereiro, os patrões propuseram 3,81% de reajuste nos salários e demais benefícios. “A proposta não faz jus ao trabalho da categoria, nem à valorização dos nossos profissionais. Ficamos frustados e esperamos bom senso na próxima reunião de negociação”, disse o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.

Já o Sindicato das Empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) explica que a proposta foi baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). “O valor entre fevereiro de 2016 e fevereiro de 2017 foi 5,43%. Propusemos 70% desse valor devido à crise econômica pela qual vive o país”, alega.

Perdas

A entidade patronal garante que a situação é ainda pior em Curitiba, onde há desequilíbrio econômico-financeiro nos contratos de concessão ao apresentarem uma estimativa irreal de número de passageiros. “A consultoria Ernst & Young apontou perdas acumuladas pelas operadoras de R$ 1,3 bilhão desde o
início do contrato, em 2010, até janeiro de 2017”, cita.

Mas os colaboradores das empresas afirmam que a proposta é inaceitável porque está muito longe do solicitado e não cobre nem mesmo a inflação do período. “Esperamos conseguir uma acordo significativo na quarta-feira”, diz Teixeira.

A única definição, por enquanto, é que as empresas aceitaram garantir a data-base até 30 de março. Mesmo que o acordo salarial seja fechado só no final do mês, o colaborador receberá o valor retroativo em todos os benefícios envolvidos na negociação.

Tarifa

Mesmo após a definição do reajuste salarial dos motoristas e cobradores, que representa mais de 50% da planilha de custos das empresas, o usuário do transporte público não será surpreendido com um novo aumento no valor da passagem em 2017.

De acordo com a Urbs, isso é garantido porque o reajuste dos salários só altera a tarifa técnica repassada às empresas para manutenção do sistema, e não a tarifa paga pelo passageiro, que já foi reajustada no
início de fevereiro – de R$ 3,70 para R$ 4,25.

Por enquanto, mesmo com o aumento na passagem, as companhias de transporte público da Grande Curitiba continuam recebendo R$ 3,66 para arcar com os custos do sistema. Contratualmente, o valor repassado pelo município às empresas é corrigido no dia 26 de fevereiro. Mas a Urbs informou que só
após o acordo salarial dos motoristas e cobradores analisará a proposta apresentada pelas empresas
para definir a nova tarifa técnica. Preliminarmente, o Setransp estimou em R$ 4,57ovalor a ser recebido
da prefeitura por passageiro transportado.