Turismo

Mais de 500 mil turistas: Natal de Curitiba deve injetar R$ 800 milhões na economia

Fotografia em plano geral de um evento noturno festivo de Natal em praça pública, tendo ao fundo a fachada iluminada de um edifício histórico, semelhante à Universidade Federal do Paraná (UFPR) na Praça Santos Andrade. Em primeiro plano e à direita, destaca-se a estrutura parcial de uma imensa árvore de Natal troncônica ornamentada com milhares de pequenas luzes douradas e enfeites em formato de estrela. Na parte inferior, uma multidão de pessoas de costas assiste à celebração. No plano intermediário, o imponente edifício neoclássico exibe colunas imponentes banhadas por uma intensa iluminação cênica vermelha. À esquerda, avista-se uma segunda árvore de Natal iluminada e figuras decorativas no palco montado em frente à fachada. Ao fundo, a escuridão da noite contrasta com a forte iluminação cenográfica natalina e as luzes de edifícios ao redor.
Programação começa no dia 24 de novembro. Foto: Levy Ferreira/SECOM.

Com início marcado para 24 de novembro, a programação do Natal de Curitiba promete atrair 3,4 milhões de pessoas e trazer mais de 515 mil turistas à cidade. Dados do Instituto Municipal de Turismo (IMT) e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Paraná (ABIH-PR) apontam que a temporada deve injetar cerca de R$ 800 milhões na economia local.

A projeção otimista para este ano tem base nos resultados recentes. Em 2025, o Natal de Curitiba movimentou R$ 722 milhões na economia da cidade — um salto expressivo de 80% em relação ao ano anterior —, impulsionado por mais de 3 milhões de espectadores e cerca de 470 mil turistas que passaram pela capital.

A taxa média de ocupação hoteleira bateu 90%, chegando à lotação máxima no Centro durante os grandes espetáculos. Para esta edição, a expectativa do setor é superar novamente essas marcas..

Áreas que mais faturam

Mapeamentos do setor produtivo e de entidades como a Fecomércio PR apontam que o período natalino é o principal motor do comércio de rua e da gastronomia no último trimestre. Entre as atividades que lideram os ganhos com o evento, destacam-se:

  • Gastronomia e Panificação: Restaurantes centrais chegam a registrar alta de 30% no faturamento no período. Nas padarias, o aumento nas encomendas de ceias prontas estimula expansão entre 5% e 8% frente ao ano passado.
  • Hotelaria e Turismo: Além da ocupação próxima de 100% nos dias de apresentações principais, agências e redes de transporte se beneficiam do fluxo contínuo de visitantes vindos do interior do estado, de Santa Catarina e de São Paulo.
  • Economia Criativa e Comércio: Artesanato, feiras temáticas e pequenos comércios encontram no apelo natalino a oportunidade de acelerar a rotação de estoque até o fim de dezembro.

Impacto para os pequenos negócios

Apesar do otimismo com os R$ 800 milhões previstos, o faturamento acelerado no fim de ano não deve ser visto como uma solução mágica para a saúde financeira dos negócios. Para os empreendedores, o lucro de fim de ano exige planejamento.

O economista e especialista em finanças Julio Woolley explica que o incremento natalino dá um alívio importante para diferentes setores, mas tem prazo de validade. “Via de regra, esse faturamento não é suficiente para o ano todo. Esse incremento financeiro do Natal dá um respiro para a operação por, no máximo, dois a três meses”, avalia Woolley, lembrando que janeiro, fevereiro e março são meses tradicionalmente mais fracos para o comércio.

Para não passar sufoco na virada do calendário com o pagamento da segunda parcela do 13º salário, rescisões de temporários e impostos como IPTU e IPVA, o economista aponta o provisionamento como estratégia.

“Provisionar é colocar um capital fixo no caixa durante todo o ano. O empresário precisa pegar parte do lucro obtido no boom do Natal e injetar na operação como uma reserva para os meses de menor movimento. A regra é faturar mais e cortar despesas que não são necessárias. Como costumamos dizer, despesa é como unha: tem que estar sempre cortando. Assim, quando chegam os momentos de recessão ou baixa temporada, a conta fecha no azul”, conclui o economista.

Reserva financeira

Além da cautela com as reservas financeiras, o encerramento do ciclo anual em Curitiba impõe um calendário rigoroso de prazos operacionais e fiscais para quem empreende na capital.

Com a projeção de injeção de recursos do Natal e a movimentação do pagamento da primeira parcela do 13º salário na economia local, o último bimestre exige que o empresariado alinhe o fluxo de caixa à quitação de encargos trabalhistas até dezembro e ao planejamento tributário do primeiro trimestre.

Em um cenário onde a instabilidade no preço dos materiais e o custo do crédito ainda pesam na margem de lucro, a combinação entre aproveitamento do pico de vendas natalino e disciplina nas contas da virada consolida-se como o único caminho para assegurar a sustentabilidade e a competitividade dos negócios no início de 2027.

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