Nunca é demais repetir: quanto mais cedo o câncer é diagnosticado, maiores as chances de cura. Por isso, com o objetivo de trocar conhecimentos e informações acerca da importância e das formas de diagnóstico precoce do câncer infanto-juvenil, o Hospital Erasto Gaertner (HEG) ofereceu, nesta terça (05), uma capacitação para servidores das Unidades Básicas de Saúde de Curitiba (UBS).

O câncer já representa, no Brasil, a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Anualmente, cerca de 150 novos casos de câncer em pacientes com essa faixa etária são diagnosticados no Hospital Erasto Gaertner e, de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), estima-se que, a cada ano, no país, cerca de 12.600 pacientes infantis terão a doença. A boa notícia é que é possível chegar à cura em 80% dos casos, quando a descoberta do câncer é feita ainda no início.

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A capacitação de profissionais que fazem os primeiros atendimentos desses pacientes é fundamental, porque os sintomas de alerta do câncer infanto-juvenil são muito confundidos com os de doenças comuns. “Ainda é preocupante a chegada de crianças ao hospital, que buscaram atendimento em outros lugares, mas receberam tratamentos para outras doenças e não para o câncer, o que acaba fazendo com que o diagnóstico seja tardio. Isso acontece em diversas faixas etárias, diferentes níveis socioculturais e econômicos, tanto em pacientes da capital quanto no interior”, revela Carolina Martins de Almeida Peixoto, médica oncohematologista pediátrica do HEG.

A médica orienta ainda que, muitos tumores pediátricos têm natureza biológica agressiva, o que explica a pressa em descobrir a doença aos primeiros sintomas. “Nem toda doença avançada significa descoberta tardia, por isso é preciso que os profissionais estejam muito preparados para o atendimento. Tumores pediátricos, em grande parte, têm crescimento acelerado”, destaca.

Os tipos mais frequentes de câncer infantojuvenil são: leucemia, tumores do sistema nervoso central e linfomas. Entre os sinais do câncer em crianças e adolescentes estão: palidez, anemia, nódulos no corpo, ínguas, sangramento e hemorragias, dores nas pernas ou nos outros ossos, manchas brancas nos olhos, dores frequentes de cabeça ao acordar e durante o sono a ponto de acordar a criança, e sinais de puberdade precoce (acnes, ganho de peso, voz grave, entre outros). A quimioterapia, com ou sem transplante de medula, a cirurgia e a radioterapia são as modalidades de tratamento empregadas.

Cura e qualidade de vida na idade adulta

O diagnóstico precoce interfere também na qualidade de vida do paciente. Muitas doenças ao serem diagnosticadas no início, e a maior parte dos tumores pediátricos, implicam em melhor sobrevida, menos tratamento e menos toxicidade a longo prazo. “Atualmente, um grande desafio na oncopediatria, além de curar as crianças, é permitir que elas sejam adultos saudáveis no futuro e que não tenham complicações relacionadas ao tratamento na vida adulta. Precisamos diagnosticar precocemente, permitir um tratamento multidisciplinar em serviço altamente especializado e de qualidade, para que esse paciente seja curado e tenha uma vida saudável depois”, analisa a médica Carolina Peixoto.

“O Hospital Erasto Gaertner hoje, por atuar em prevenção, diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa, tem como obrigação também, dentro da sua missão, formar e treinar, capacitando os profissionais que atuam na área da saúde, para que possamos, cada vez mais, trabalhar com o diagnóstico precoce. Sabemos que o melhor custo – efetividade de tratamento em qualquer doença é a prevenção e quanto mais cedo detectado o câncer, melhores taxas de cura cura e menor custo”, conclui Adriano Lago, superintendente do HEG.