O filho de nove anos do soldado da Polícia Militar Rodrigo Federizzi, 32 anos, prestou depoimento no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) na tarde desta quinta-feira (11), sobre o desaparecimento do pai, desde o dia 28 de julho. Nessa data, conforme apurou a Tribuna do Paraná, a criança acordou com um estampido e a mãe, Ellen Federizzi, respondeu que o barulho tinha sido feito por um disjuntor.

Ellen foi presa na noite de quarta-feira (10) pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), suspeita de envolvimento no desaparecimento do marido. Depois de responder o menino, a mãe mandou que ele se vestisse e fosse brincar no parquinho.

“A polícia entendeu que deveria ouvir o filho do Rodrigo para obter mais informações e tentar identificar o paradeiro do policial desaparecido”, explicou Reinaldo Vinicius Vieira, advogado da família do soldado.

Ainda segundo o advogado, a prisão de Ellen foi uma surpresa para toda a família. “Não havia nenhuma suspeita. Entendia-se que ele havia saído de casa com uma outra pessoa e não apareceu mais”, disse.

Investigações

O pedido de prisão temporária de Ellen foi feito após uma perícia realizada durante a noite no apartamento do casal, no bairro Tatuquara. Usando luminol – substância que identifica sangue mesmo após a limpeza – peritos encontraram vestígios em várias parte da casa, como quarto, armários, máquina de lavar, tapetes e no cabo de um serrote, que foi apreendido. O DNA será confrontado com o sangue dos pais do soldado, para confirmar se o material genético pertencia a ele.

Indícios

A Tribuna apurou que o casal se conhecia desde criança e estavam juntos há 10 anos. Ellen tinha um bom relacionamento com a família de Rodrigo.

Foi a própria esposa que relatou à polícia o desaparecimento do soldado. Ela disse que o companheiro tinha saído de casa em busca de bandidos que a assaltaram quatro dias antes. Nessa ocasião, Ellen teve cartões roubados e afirmou que foi agredida, mas se recusou a fazer exame de lesão corporal no Instituto Médico Legal (IML).

Da conta bancária – que pertencia a Rodrigo – teria sumido uma quantia de R$ 50 mil – que Ellen deveria ter transferido à cunhada, referente a uma dívida pelo terreno em que eles moravam.

Livre do cheiro

A Tribuna apurou ainda que testemunhas relataram que Ellen fez uma verdadeira “limpa” na casa. Ela teria trocado a mobília de lugar, lavado tapetes, e até tentado contratar um pintor para trabalhar no apartamento.  Ela teria dito que estava muito difícil conviver com o cheiro do marido na casa.

Ellen recentemente comprou uma mala, o que também despertou a suspeita de conhecidos, mas disse que encomendou o objeto de uma amiga para colocar roupas e demais itens que não estavam sendo usados, para tirá-los do apartamento.

Vídeo

Advogado da família falou com a Tribuna e deu mais informação sobre o caso.