Uma menina de 15 anos morreu na última terça-feira, em Curitiba, depois de ser atendida na unidade básica de saúde da Vila Leão, no bairro Novo Mundo. Segundo a irmã da menina, Sônia Regina Ramos da Rocha, houve negligência e má vontade dos profissionais do posto.

Sônia contou que sua irmã começou a sentir dores de cabeça na noite de segunda-feira. Na terça ela levantou se sentindo mal, com dores no corpo, e foi levada para a unidade de saúde, que se localiza na Rua Primo Lourenço Tosin. A residência da família fica a poucos metros da unidade.

Segundo Sônia, a médica pediatra da unidade atendeu a menina rapidamente e a encaminhou para o Cemum (Centro Municipal de Urgências Médicas) do bairro Fazendinha.

“Ela disse que provavelmente a minha irmã estava com intoxicação alimentar e ainda brincou, dizendo que talvez ela pudesse estar grávida ou intoxicada com algum medicamento”, relatou Sônia.

Em seguida, a menina foi piorando, teve diarreia, tontura, sonolência, febre, e começou a ficar gelada, segundo informações de Sônia. Por volta das 9h, a família conseguiu uma condução particular que poderia encaminhá-la para o Cemum, mas segundo Sônia, os funcionários da unidade do Novo Mundo não liberaram a saída da adolescente.

“Eu reclamei que ela estava ficando gelada, e a enfermeira Sílvia disse que ela também estava com frio. Ela disse ainda que não poderíamos tirar a minha irmã de lá, e que a unidade de saúde é que teria que chamar a ambulância”, disse Sônia.

Segundo ela, sua irmã piorou ainda mais e a ambulância do Samu só chegou no posto por volta das 11h30. “Nisso a médica pediatra voltou, mas não conseguiu mais pegar a respiração da minha irmã”, disse.

A menina foi levada para o Cemum (onde foi bem atendida, segundo Sônia) e morreu perto das 13h de terça-feira. “Houve negligência e nós vamos procurar nossos direitos. Claro que entendo que se ela estava com algum problema grave iria morrer, mas nós pelo menos tínhamos o direito de ser atendidos com humanidade”, reclamou.

A reportagem procurou a enfermeira Sílvia e a pediatra da unidade de saúde. A pediatra não estava no local e a enfermeira atendeu a reportagem juntamente com a supervisora do Distrito do Portão, Juliana Hencke.

Juliana comunicou que será aberta uma sindicância para apurar os fatos, e que qualquer opinião ou julgamento neste momento, quando ainda não foram ouvidos oficialmente todos os envolvidos no caso (inclusive a família, que velava o corpo da menina ainda ontem), seria leviana.

Juliana explicou que a causa da morte está sendo apurada (há suspeitas de meningite) e que somente depois disso é que se poderá fazer as devidas avaliações.

A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba lamentou ocorrência, e informou que a menina tinha problemas crônicos, como diabetes, problemas na tireoide e complicações cardíacas.

Além da suspeita de meningite, também foi coletado material para analisar se a menina não estaria com a gripe A (H1N1). Depois do velório, a secretaria deverá isolar a região em função da incerteza quanto à meningite.