Família de comerciante morto em assalto protesta

Depois de ver o pai assassinado no dia 6, durante assalto à panificadora da família, no Cajuru, Jefferson Jarkzeski ainda teve de “engolir” as risadas de um dos envolvidos no crime, já preso.

Revoltado ao saber que a quadrilha responsável pelo latrocínio ganharia as ruas em, no máximo, três anos, ele organizou uma passeata na manhã desta segunda-feira (12).

Amigos da família caminharam da esquina da Rua Fortaleza com a Rua dos Ferroviários até a panificadora, na Rua Dante Melara, com faixas pedindo por justiça. Em uma delas, os manifestantes apresentavam os dizeres “todo povo de bem é preso, e o bandido solto”.

Jefferson contou que a juíza responsável pelo caso, tocada pela violência empregada pela quadrilha, garantiu pena máxima para os quatro adolescentes apreendidos.

“O problema é que o máximo é apenas três anos. Temos que mudar essa lei. Enquanto a polícia se esforça para prender, os delegados e juízes para punir, em Brasília ninguém faz nada”, desabafa o filho da vítima, referindo-se ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Risada

Na Delegacia do Adolescente, depois de prestar depoimento, Jefferson encontrou o garoto de 12 anos envolvido no crime, e perguntou a ele porque tanta violência. “Ele olhou na minha cara e riu”, lamenta.

Os manifestantes já programam outro protesto a ser realizado no Centro de Curitiba. A panificadora, que estava de portas fechadas desde o dia do crime, volta a funcionar nesta terça-feira (13).

Na entrada, os filhos pretendem deixar uma faixa permanente com a foto do pai, pedindo para que os assaltantes os deixem em paz. O estabelecimento, em 15 anos de existência, foi roubado 13 vezes. Segundo Jefferson, que esteve presente em oito dos roubos, em todos os casos os assaltantes aparentavam ter menos de 18 anos.

O crime

No dia 6 de novembro, às 8h, dois garotos de 17 anos, um de 16 e outro de 12, invadiram a panificadora e anunciaram o assalto. Eles fugiram caminhando, levando apenas R$ 20 e algumas mercadorias.

Ernesto Jarkzeski, 49, estava no andar de cima da panificadora, onde morava com os filhos, e desceu as escadas para pedir socorro. Assim que abriu a porta, deparou-se com um dos assaltantes, se assustou e tentou voltar correndo, mas foi baleado e morreu na hora. Ele planejava sair minutos depois com a filha de 16 anos, que tomava banho no momento do crime.

Os quatro adolescentes foram apreendidos horas depois, a três quadras do local do crime, fumando maconha. Um deles era frequentador assíduo da panificadora, onde sempre comprava pães de queijo. Os outros, quando sentiam fome, pediam comida e eram atendidos com carinho por Ernesto.

“Meu pai nunca negou comida a ninguém. Ele acordava todos os dias, às 4h30, via esses meninos tão novos andando de madrugada pelas ruas, e nos pedia para tomar cuidado. Ele tentou ajudar”, afirma Jefferson.

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