O caminhoneiro que se envolveu no acidente que matou oito pessoas na noite de domingo na BR-277, prestou depoimento na Delegacia da Polícia Civil em São José dos Pinhais, na grande Curitiba, na manhã desta terça-feira (4). De acordo com o delegado que conduz o inquérito, Fábio Machado, não há indícios de que o caminhoneiro e nenhum outro dos condutores tenham cometido crime. Agora, a polícia vai investigar a conduta da concessionaria Ecovia, que administra o trecho entre a capital e o litoral,no caso.

O caminhão que Claudio Alexandre Seroiska conduzia atropelou os ocupantes de três carros que haviam descido após se envolver em um engavetamento sem maiores consequências. Na sequência, outros veículos, entre carros, motos e até uma viatura da Polícia Militar (PM) acabaram formando um engavetamento gigante de 22 veículos.

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No depoimento à polícia, Seroiska afirma que havia acabado de sair de casa para transportar peças para São Paulo e que não conseguiu enxergar nada no momento do acidente. Uma forte fumaça causada por queimada à beira da estrada misturada com neblina seria a responsável pelo acidente, o que levou o caminhoneiro a desviar dos carros na pista, mas a atropelar as pessoas no acostamento.

“Era como se eu tivesse entrado num quarto escuro de olhos vendados”, ilustra o caminhoneiro em entrevista ao jornal Meio-Dia Paraná, da RPC, nesta terça.

O caminhoneiro afirma que dirigia dentro do limite de velocidade e reclama de que não havia nenhuma sinalização na rodovia indicando neblina e fumaça. “Não tinha um luminoso sequer indicando nevoeiro adiante ou incêndio, nenhum batedor. Eu rodo em todas as rodovias de São Paulo e Rio e eles fecham as rodovias [nesses casos]”, afirma o condutor.

Por isso, Seroiska afirma que se considera também uma vítima do acidente. Segundo o próprio caminhoneiro, esse foi o primeiro acidente que se envolveu em 15 anos na boléia.

Concessionária Ecovia

Para a polícia, a falta de visibilidade e não a negligência dos motoristas parece ser a principal causa do acidente na BR-277. “Verificamos que o motorista [do caminhão] estava dirigindo de forma regular e não conseguiu visualizar por causa da neblina com fumaça. Estamos verificando se houve responsabilidade da concessionária em não fechar a rodovia”, explica o delegado Fábio Machado.

De acordo com moradores da região, as queimadas são constantes no trecho de divisa entre São José dos Pinhais e Curitiba, muitas delas nos últimos dias. O Corpo de Bombeiros afirma que a grande maioria dos incêndios na região são provocados pela população, agravada pelo fato de o Paraná viver uma das piores estiagem da história.

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O gerente de atendimento ao usuário da concessionária Ecovia, que administra o trecho da BR-277 entre Curitiba e o litoral, Marcelo Belão, afirma que a empresa seguiu o protocolo de casos de neblina ou fumaça na pista. Em entrevista à Gazeta do Povo, ele disse que a viatura da concessionária que faz a inspeção de rotina da rodovia estava transitando no sentido Litoral-Curitiba quando, no quilômetro 76, o operador percebeu a falta de visibilidade e encostou o veículo para fazer a sinalização.

No mesmo momento, às 22h08, pediu apoio para fazer a sinalização no sentido contrário, Curitiba-Litoral, além de ter solicitado, por rádio, que fossem acionados os bombeiros e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Segundo o gerente, a primeira viatura de apoio chegou às 22h26 e foi nesse lapso de tempo em que as colisões aconteceram. Belão disse que a concessionária seguiu o protocolo em situações como essa, tendo em vista que os reforços foram chamados e que a viatura não poderia atravessar a pista para sinalizar também no sentido contrário. Ele ainda destacou que o fluxo maior era no sentido do litoral para Curitiba, por causa do final de semana.

O gerente contou ainda que o operador fez acenos para redução de velocidade e foi se dirigindo até o final da fila, para também evitar colisões traseiras. Segundo Belão, o procedimento foi adequado e a prova seria o fato de que não foram registradas batidas no sentido litoral-Curitiba, que tinha tráfego mais intenso.

Ele disse que nenhum usuário acionou a concessionária para comunicar o problema da visibilidade, o que reforçaria, no entendimento do gerente, a tese de que a viatura da empresa foi a primeira a identificar o problema e que as mudanças nas condições da pista foram repentinas.